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Pimp My Carroça: há mais de uma década atuando pela visibilidade e remuneração justa para catadoras e catadores autônomos de materiais recicláveis

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Conheça mais sobre o coletivo que desenvolve diversas frentes para proporcionar melhor qualidade de vida para os profissionais que fazem a diferença na preservação do meio ambiente

Por Elen Nunes / Editado por Flavius Deliberalli

O Pimp My Carroça é um coletivo criado há 12 anos para ajudar catadoras e catadores autônomos de materiais recicláveis a terem acesso a uma vida mais digna.

Estamos falando de profissionais ainda invisíveis para a sociedade, que formam um grupo de mais de 800 mil pessoas e que é responsável por 90% do lixo reciclado no Brasil, conforme dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). Ou seja, os grandes agentes da transformação, que realizam um trabalho fundamental para a preservação ambiental.

Nesta entrevista exclusiva, Augusto Oliveira, analista de comunicação do Pimp My Carroça, nos conta detalhes sobre a atuação do coletivo.

Confira agora:

1- Quais são os principais desafios para ampliarmos a reciclagem no Brasil?
A gestão de resíduos sólidos é uma questão de extrema relevância para o Brasil, país marcado pela sua vasta extensão territorial e pela complexidade de suas demandas socioambientais. No contexto dessa gestão, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), promulgada em 2010, emerge como um marco regulatório que busca promover a sustentabilidade e a inclusão social e representa um avanço significativo na abordagem dos resíduos sólidos no Brasil, estabelecendo princípios como a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos e a priorização da não geração de resíduos. Dentro desse contexto, as catadoras e catadores se destacam como agentes fundamentais. São homens e mulheres marginalizados pela elite, mas que desempenham um papel essencial na coleta seletiva e na reciclagem de materiais, contribuindo para a redução da quantidade de resíduos enviados aos aterros sanitários, para o abastecimento das indústrias recicladoras e a preservação do meio ambiente. Ao garantir direitos básicos e oportunidades de trabalho digno e inclusão socioprodutiva, as políticas públicas e privadas no setor de resíduos sólidos podem contribuir para mitigar os impactos negativos nas vidas dessas pessoas e do planeta. Isso se traduz em iniciativas que promovem a justiça climática, um conceito que reconhece que os impactos das mudanças climáticas recaem desproporcionalmente sobre comunidades vulneráveis, muitas vezes marginalizadas, como é o caso de muitos catadores. Os catadores desempenham um papel fundamental na recuperação de materiais valiosos, reintroduzindo-os na cadeia produtiva, reduzindo a pressão sobre os recursos naturais e promovendo a redução, reutilização e reciclagem de produtos e materiais, evitando o desperdício e promovendo a sustentabilidade – a Economia Circular. No entanto, é importante mencionar o conceito de Racismo Ambiental, que evidencia como comunidades racialmente minoritárias muitas vezes enfrentam maiores níveis de exposição a poluentes e degradação ambiental. Nesse contexto, os catadores, frequentemente pertencentes a grupos historicamente marginalizados, enfrentam desafios adicionais em seu trabalho e em suas condições de vida. As políticas públicas e privadas devem abordar essa dimensão do problema para garantir a igualdade de oportunidades e condições de trabalho.

2- Como a indústria pode inserir catadores e catadoras para atuar diretamente no desenvolvimento de embalagens, aplicando suas experiências diárias e efetivas da reciclagem? Exemplifique se achar necessário.
Por mais que existam vários tipos de materiais que podem ser reciclados, alguns tipos são mais procurados por catadoras e catadores que outros. Por quê? O alumínio, por exemplo, é leve e tem maior valor para venda. Por outro lado, o vidro é pesado, não possui muito valor comercial e apresenta riscos de acidentes no transporte. O Cataki+ surge para potencializar a coleta de materiais com pouco valor agregado: as cooperativas e catadores vinculados ao programa recebem uma remuneração extra por cada quilo do material vendido, além de benefícios como cartões cestas básicas, big bags, adesivos, camisetas e equipamentos de proteção individual. Catadoras e catadores estão entre as principais afetadas pela emergência climática. Ameaças que contribuem para a perda de meios de subsistência, como o aumento da privatização de gestão de resíduos para projetos de energia ou incineração e exclusão através de outros espaços, como as intervenções políticas na gestão de resíduos plásticos. A categoria também não é citada nas normas de Responsabilidade Estendida do Produtor. Mesmo assim, as catadoras e catadores não desanimam. Como a prospecção da OIT em 2013 avisou, o emprego no setor de gestão e a reciclagem de resíduos crescerá à medida que aumente as bandejas de reciclagem. Dos 19 a 24 milhões de pessoas que trabalham atualmente neste setor, apenas 4 milhões têm um emprego formal. A grande maioria trabalhava como recicladores informais nos países em desenvolvimento, e se acredita que em grande parte se trata de mulheres. A reciclagem só poderá se converter em uma atividade verdadeiramente ecológica se esta ocupação for formalizada. Em países como o Brasil, Colômbia e Sri Lanka, onde os recicladores foram organizados em cooperativas e empresas criadas, houve queda de patente que a formalização pode oferecer grandes oportunidades para a inclusão social e a melhoria das condições de trabalho, segurança, saúde e rendimentos. Além disso, reafirma a grande oportunidade socioeconômica com a inclusão desses profissionais: os recicladores de resíduos do setor informal recuperam muito mais materiais recicláveis que as empresas de gerenciamento de resíduos da economia formal. As pessoas que se dedicam ao reconhecimento de resíduos de maneira informal geram um benefício econômico líquido para os municípios nos quais trabalham. No entanto, a reciclagem informal implica condições de trabalho perigosas para as pessoas que se dedicam a ele, que em muitos casos vivem na pobreza.

“São homens e mulheres marginalizados pela elite, mas que desempenham um papel essencial na coleta seletiva e na reciclagem de materiais, contribuindo para a redução da quantidade de resíduos enviados aos aterros sanitários”

3- Mesmo diante da consolidação dessa atividade como indispensável para a sociedade atual, como você compreende o contexto de invisibilidade dos catadores atualmente?
Ponta de lança na Justiça Climática, categoria carrega o planeta nas costas, mas o mais pesado é a indiferença geral. São, pelo menos, 800 mil pessoas que sobrevivem da reciclagem no Brasil. Fora dos números oficiais, se falam em mais de 1 milhão de pessoas que estão envolvidas com a coleta, triagem, transporte e comercialização de resíduos sólidos. Como grupo populacional, é composto pela demografia brasileira, maioria de mulheres e homens pretos (negros e pardos) e a imensa maioria pobre. O Racismo Ambiental é uma condição estrutural da sociedade de consumo brasileira. Quem lida com seu lixo? Já parou para pensar? Por que os trabalhadores, tanto na ponta de extração de matérias-primas quanto na ponta do descarte estão marginalizados e deixados no trabalho informal? São R$ 15 bilhões desperdiçados no Brasil por não reciclar resíduos que vão para o aterro sanitário. Além disso, vivemos um processo de fechamento de lixões que expõe as contradições do modo de vida capitalista. Famílias, pessoas idosas e jovens, crescem ao redor dos resíduos, não dos produtos que são consumidos, mas das embalagens, aquilo que foi descartado e que, através da criatividade e da vivência, desenvolvem conhecimentos sustentáveis. Cooperativas, associações, coletivos e indivíduos têm seu trabalho criminalizado, sucateado e desprezado pelo poder público e privado, que deveriam fazer cumprir leis como a PNRS, Planares e outras que prevêem o investimento na categoria. Sujeitos são “invisibilizados” pela indiferença das pessoas, que é alimentada de diversas formas por poucos que lucram com a miséria de muitos. O Estado não cumpre suas responsabilidades e as empresas surfam no greenwashing. A sociedade civil precisa cumprir seu papel de solidariedade para com essas pessoas. Juntos, vamos caminhar rumo um país sustentável, com menos desigualdades sociais e estilos de vida mais saudáveis para todas e todos.


4- Conte a história, propósito e atuação do Pimp My Carroça. Detalhe separadamente a atuação das Iniciativas Cataki, Pimp Lab e também a incidência política da atuação.
Em 2024, o Pimp My Carroça completa 12 anos de existência na luta por visibilidade e remuneração justa para catadoras e catadores de materiais recicláveis. Hoje, o Pimp My Carroça executa projetos e programas voltados para a Assistência Social, Mobilização, Educação, Embaixadores e Voluntariado. Todos os anos executamos dezenas de ações desde o Pimpex, onde pessoas físicas podem financiar uma carroça para uma catadora ou catador, até o Pimp Nossa Cooperativa, onde transformamos as cooperativas em museus de arte urbana com a ajuda de artistas e empresas. Tudo começou em 2012, com o Pimp My Carroça em Circuito, o tradicional evento que reforma e pinta carroças para dezenas de catadores/as de uma única  vez. Nos últimos dez anos, desenvolvemos diversos projetos, programas e ações para fortalecer as catadoras e catadores – acompanhando suas regionalidades, dentro e fora do Brasil. O Cataki é uma solução capaz de incluir catadoras e catadores individuais na cadeia logística reversa de todas as cidades do país. Catadoras e catadores coletam 90% de tudo que é reciclado no Brasil. Apesar de protagonizarem a etapa mais importante e exaustiva da cadeia da reciclagem, são quem menos recebe por isso. O Cataki combate esse paradoxo sem sentido. O Cataki funciona como um Linkedin para catadoras e catadores, ampliando a divulgação dos seus serviços como agentes ambientais para todo mundo que deseja reciclar. Cerca de 64% dos brasileiros não têm acesso à coleta seletiva pública – e mesmo o resíduo descartado dessa forma não é inteiramente reciclado. O Cataki é feito para quem quer destinar corretamente seu resíduo, mas não sabe como. O Pimp Lab é um laboratório de criação e experimentação de projetos socioambientais baseados em tendências mundiais e boas ideias, que causem impactos positivos, visando a economia circular com protagonismo de catadores e catadoras, artistas e outros profissionais. Fazemos interface com inovações sociais e tecnológicas, como equipamentos e materiais sustentáveis, visando melhorias na saúde física e mental das catadoras e catadores de materiais recicláveis. Aqui no Movimento de Pimpadores reconhecemos a importância vital da incidência política em nossa busca por um mundo mais sustentável e inclusivo. Através de esforços de Advocacy estamos comprometidos em apoiar a voz das catadoras e catadores de todo o Brasil, garantindo que suas contribuições essenciais para a economia circular e para a preservação ambiental sejam reconhecidas e valorizadas. Com o apoio financeiro adequado, poderemos ampliar ainda mais nosso impacto, promovendo políticas que aprimorem as condições de trabalho, a segurança social e a dignidade de catadoras e catadores autônomos/individuais e organizados em cooperativas. Estamos em busca de parcerias para fortalecer a capacidade da organização e fazer a diferença na vida dos catadores e catadoras, além de criar  um compromisso tangível com um futuro mais justo e ecologicamente responsável para todos.

“São R$ 15 bilhões desperdiçados no Brasil por não reciclar resíduos que vão para o aterro sanitário”

Augusto Oliveira, analista de comunicação do Pimp My Carroça.

5- Nos conte mais sobre os tipos de catadores atualmente no Brasil. Qual diferença de atuar de forma direcionada para os catadores autônomos?
Para a catadora e o catador de resíduos recicláveis que vão para a rua sem vínculo de emprego, o cenário de trabalho é duro e muito pouco receptivo por parte da sociedade. Os resultados do levantamento da Pesquisa Cataki 2022 mostraram que esses trabalhadores passam por constrangimentos dos mais diversos. De acordo com um catador entrevistado na pesquisa, a maioria das pessoas olha para o catador como se esta fosse a última opção que ele tinha. No olhar da sociedade não é uma escolha, mas uma falta de opção. Não é o mesmo olhar que eles recebem na condição de profissional. Além disso, metade dos entrevistados usuários do Cataki admitiu ter sido impedido de entrar em estabelecimentos comerciais para recolher resíduos; 67% foram vítimas de preconceito por serem catadores; 63% apontam terem sido vigiados de perto por seguranças; 26% dos catadores que não usam o Cataki já tiveram sua carroça, principal instrumento de trabalho, apreendida pela prefeitura. Entre os usuários do aplicativo, 21% passaram por esse constrangimento. O perfil sociodemográfico dos catadores revelou que 72% dos catadores usuários do aplicativo Cataki se identificam como negros e pardos, enquanto 81% dos não cadastrados consideram a mesma opção. Entre os entrevistados, os homens são maioria: 75% de não usuários, enquanto 62% de maioria entre usuários em São Paulo (SP). Em Belo Horizonte, 80% dos não usuários do aplicativo são homens contra 56% de não usuários. Na capital mineira, 44% das usuárias do aplicativo são mulheres. Já no Rio de Janeiro, 66% dos usuários do aplicativo são homens, e entre não usuários o número sobe para 76%. As mulheres cadastradas no aplicativo representam 39% da amostra, contra 24% de não cadastradas. A faixa etária média dos catadores e catadoras é comum nas três regiões pesquisadas: 44,5% do total têm entre 40 e 59 anos e 32% começaram a coletar antes dos 30 anos de idade. Outro fator em comum são as horas trabalhadas: Em geral, são dez horas diárias de trabalho. Cerca de 30% dos trabalhadores que participaram da pesquisa entraram na catação devido ao desemprego e outras situações de vulnerabilidade e 12% dos entrevistados ingressaram neste trabalho por influência familiar e, para 71% dos respondentes, ser catador é o único trabalho no momento. Atividades como pedreiro, vendedor(a), segurança, assistente de obra e diarista são exemplos de ocupações citadas como deixadas de lado para realização da atividade de catação, pois as pessoas acabam se profissionalizando e obtendo uma renda mensal superior e mais autonomia em relação às demais ocupações exercidas anteriormente. O levantamento identificou que a preferência pelo trabalho autônomo, em lugar do trabalho nas cooperativas e associações, se relaciona com a possibilidade de elaborar estratégias próprias de coleta, como: quais materiais coletar, os horários de trabalho e os trajetos percorridos. Apesar da aparente liberdade, essa escolha significa que estão ainda mais afastados das escassas políticas públicas de fomento ao trabalho de catadoras e catadores, como os benefícios de previdência social, férias remuneradas e seguro desemprego.

6- Atualmente são quantos colaboradores envolvidos? Quantos catadores? E em quantas cidades vocês atuam? O Movimento de Pimpadores, que contempla o Pimp My Carroça, Cataki e o Pimp Lab é uma organização sem fins lucrativos dedicada a transformar a realidade dos catadores e catadoras de materiais recicláveis. Nosso compromisso é com o reconhecimento justo e a remuneração adequada desses profissionais essenciais, tanto informais e autônomos quanto aqueles associados a cooperativas, perante a sociedade, o poder público e o setor empresarial, tanto no Brasil quanto internacionalmente. Somos um coletivo diversificado de aproximadamente 30 profissionais vindos de várias disciplinas — incluindo gestão ambiental, administração, gerenciamento de projetos, serviço social, programação, ciências sociais, artes, produção, comunicação e catação. Nossa sede é em São Paulo (SP) e já realizamos cerca de 10 mil atendimentos a catadores, com envolvimento direto de mais de 20 mil pessoas em 60 cidades e 20 países, apresentando soluções para atender às demandas trazidas por esses profissionais e incluí-los nos espaços de decisões políticas que influenciam diretamente suas vidas e o meio ambiente.

“Somos um coletivo diversificado de aproximadamente 30 profissionais vindos de várias disciplinas — incluindo gestão ambiental, administração, gerenciamento de projetos, serviço social, programação, ciências sociais, artes, produção, comunicação e catação”

7- No que o Pimp My Carroça pode auxiliar as empresas?
Firmamos parcerias por meio de iniciativas criativas, colaborativas e de impacto real para catadoras e catadores de todo o Brasil e do mundo! Os formatos das parcerias que produzimos e executamos com o público corporativo variam em formato, mas tem a essência do Pimp My Carroça, Cataki e Pimp Lab. O que há em comum é a visibilidade, inovação, e o impacto real social e ambiental, pois promovem a importância da reciclagem e o protagonismo das catadoras e catadores: suas histórias, regionalidades e qualidades – como os vemos, sendo protagonistas da cadeia. Através das Leis de Incentivo as empresas podem apoiar nossos projetos culturais e socioambientais abatendo seus impostos. Por patrocínio direto, para as edições de todos os nossos projetos, o tipo e valor da parceria dependerá da negociação. Além disso, oferecemos palestras e atividades com protagonismo de catadoras e catadores para o ambiente corporativo.


8- Quais as possibilidades de parcerias entre empresas de embalagens/consumo e o Pimp?
O Cataki desenvolveu o programa Cataki+ para fortalecer a cadeia da reciclagem, aproximar os catadores das cooperativas e associações de catadores e estimular o mercado de materiais recicláveis como as tradicionais caixinhas de leite e sucos. Desde 2021, o Cataki+ Longa Vida é realizado em parceria com a Tetra Pak e busca aumentar a coleta das Embalagens Longa Vida (ELVs). Os catadores e catadoras foram responsáveis por coletar mais de 3,7 milhões de unidades de ELVs, o equivalente a mais de 104 toneladas do material. Em São Paulo (SP), cinco pontos consolidadores, entre cooperativas e depósitos de reciclagem, estiveram com o projeto na segunda edição, que ocorreu ao longo de 2022: Relog S.A. (Zona Sul), Viva Bem (Zona Oeste), Recircular (Centro), Seta (Guarulhos) e Coopamare (Zona Oeste). A iniciativa também está presente em Belo Horizonte (MG), na Coopesol Leste.

“Desde 2021, o Cataki+ Longa Vida é realizado em parceria com a Tetra Pak e busca aumentar a coleta das Embalagens Longa Vida. Os catadores e catadoras foram responsáveis por coletar mais de 3,7 milhões de unidades de ELVs, o equivalente a mais de 104 toneladas do material”


9- Resuma os principais projetos possíveis com o Pimp: Desafio Pimp, Pimp Educa, Pimp Nossa Cooperativa, Pimpex e Pimp em Circuito.
O Desafio Pimp é uma experiência imersiva em que as pessoas são convidadas a conhecerem o trabalho dos catadores e catadoras na prática. A ideia é que os participantes experimentem como é um dia na vida desses profissionais, fazendo a coleta, a triagem e indo até o ferro-velho vender seu produto. Com foco no público corporativo, o Desafio Pimp é visto como uma oportunidade para as organizações oferecerem uma experiência menos óbvia e mais transformadora para colaboradores voluntários. Isso porque durante uma edição do Desafio Pimp, três preciosos conceitos são profundamente exercitados: trabalho em equipe, educação ambiental e empatia. Tudo isso na prática. Catadoras e catadores são mestres em reciclagem. Partindo desse princípio, faz todo sentido que estejam presentes também em escolas, universidades e quaisquer outros espaços educativos. É para isso que criamos o Pimp Educa, uma forma de reconhecer o catador ou catadora como especialista em educação ambiental. O Pimp Educa é um programa de formato flexível, que contempla a ida da catadora ou catador até uma instituição para fazer uma palestra, contando sobre o dia a dia da sua profissão. Este profissional ainda recebe uma carroça nova, ou uma reforma e pintura da sua. É uma oportunidade dupla: enquanto o catador ou catadora compartilha seu conhecimento, a nova geração aprende a não cometer os mesmos erros de seus pais. O Pimp Nossa Cooperativa revitaliza galpões de cooperativas de reciclagem por meio da pintura de murais de graffiti e estruturação da segurança do trabalho no espaço, transformando-o numa referência socioambiental para as pessoas do território. Toda a cadeia da reciclagem necessita de cuidado, desde o catador ou catadora individual, que está nas ruas em situações de vulnerabilidade, até as catadoras e catadores organizados em cooperativas e associações. Toda a categoria, em sua diversidade, é fundamental para a coleta seletiva solidária e a gestão de resíduos das cidades. Com o Pimpex, tecnologia social criada pelo Pimp My Carroça, toda a sociedade (você, empresas, escolas ou faculdades, podem ajudar um catador de uma maneira humana, descomplicada, objetiva e colaborativa. Esse formato ajudou o Pimp My Carroça a se multiplicar pelo Brasil e ao redor do mundo, uma vez que em 2019 o Pimpex foi reconhecido como uma tecnologia social certificada pela Fundação Banco do Brasil. Na ação do Pimp My Carroça em Circuito, fazemos a reforma estrutural das carroças/ carrinhos e a pintura artística chamando artistas da região para atuarem no evento. Além disso, entregamos equipamentos de segurança às catadoras e catadores. Para este evento, contamos com muitas pessoas voluntárias para auxiliar durante toda a ação e dar apoio no atendimento de bem-estar e saúde dos catadores e suas famílias. Organizamos também shows e oficinas para todos os públicos, ou seja, um dia com muita arte e cultura, fomentando a arte, o consumo consciente e a importância da reciclagem na sociedade.


10- Poderia citar cases importantes realizados ao longo dessa trajetória?
O Cataki+ Longa Vida, já citado, é um programa que estimula a reciclagem de embalagens cartonadas, em parceria com a Tetra Pak, e oferece aos participantes bônus financeiro, apoio socioassistencial e itens de segurança e qualidade de trabalho. A comercialização entre catadores individuais e as organizações parceiras representa uma das poucas iniciativas que, de fato, reconhece e inclui esses profissionais nos sistemas de logística reversa e economia circular no Brasil. No Carnaval de 2024, o Pimp My Carroça e o Cataki receberam, pelo segundo ano consecutivo, apoio do Instituto Heineken para executar a gestão de resíduos recicláveis de dois dos seus blocos patrocinados ao lado das catadoras e catadores. A iniciativa “CataFolia” vai ao encontro de um objetivo comum das organizações, que é transformar a sociedade por meio do equilíbrio e contribuir com melhores oportunidades e um ambiente mais digno de trabalho para esses profissionais, passando pelo reconhecimento e remuneração justa.

 

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