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BASF: reciclagem, menos resíduos e iniciativas no setor para reduzir o impacto ambiental do plástico

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Em entrevista exclusiva, executivo da empresa conta detalhes sobre produtos e ações adotadas para tornar o material cada vez mais circular


Por Elen Nunes / Editado por Flavius Deliberalli / Foto: Arthur Calazans

O plástico pode e deve ser mais circular, afinal de contas é um material indispensável em uma infinidade de setores e mercados. Se substituí-lo é quase impossível, o caminho é desenvolver soluções e iniciativas que aproveitem cada vez mais seu potencial como material e minimizem o seu impacto ambiental.

Nessa entrevista exclusiva, Fernando Henrique Diniz, responsável por economia circular e modelos de negócios na BASF conta detalhes sobre a atuação da empresa.

Leia agora:

1- A BASF, como indústria química, oferece uma grande variedade de materiais e soluções para a indústria de embalagem. Atualmente, quais são as principais soluções para esse setor e para quais mercados?
A BASF tem um amplo portfólio voltado para a indústria de embalagens. Um exemplo são as poliamidas (PA), para embalagens flexíveis. Além a reciclabilidade desses materiais, há as poliamidas com a utilização de recursos renováveis que possuem as mesmas características dos produtos que utilizam recursos fósseis. Há ainda os bioplásticos, sendo que a BASF é uma das pioneiras na adoção dos bioplásticos, com o poliéster biodegradável e compostável ecoflex, que está no mercado há mais de vinte anos. Temos também o polímero compostável ecovio, composto por mais de 70% de matérias-primas de fontes renováveis, para fabricação de embalagens que sejam biodegradáveis e compostáveis. Vale citar também os termoplásticos (PBT) – há grades da família Ultradur com propriedades superiores de barreira para oxigênio, aromas, que foi especialmente desenvolvido para embalagens de paredes finas para cosméticos e produtos alimentícios. Devido sua excepcional performance de barreira, é possível a eliminação de embalagens secundárias, ou sistemas multicamadas, como aqueles utilizados em cápsulas de café. Possui certificação de contato com alimentos, sendo adequado para embalagens de cosméticos e de alimentos.

A BASF também fornece soluções para revestimentos de barreira, adesivos e outras matérias-primas de alta qualidade para produção e impressão de embalagens alimentícias, embalagens flexíveis, papelão ondulado, papel ou cartão e rótulos que atendem diversos requisitos de sustentabilidade. São soluções à base de água, com redução de emissão de VOC, de pegada de carbono e a melhoria dos aspectos de reciclabilidade ou compostagem dos materiais.



2- Considerando a poluição plástica como uma das pautas mais emergenciais da indústria, quais soluções a BASF tem apresentado com foco em redução de impacto ambiental das embalagens plásticas?
Como material essencial nos dias de hoje, o plástico protege alimentos, garante eficiência energética nos automóveis com a redução do peso e é um grande aliado para as indústrias farmacêutica e hospitalar, entre outras importantes funções. É preciso impedir que todo esse material seja descartado de forma incorreta e termine no meio ambiente – é essencial investir na reciclagem. Queremos manter o plástico na economia oferecendo maior qualidade ao produto final reciclado.

A sustentabilidade é um pilar estratégico para a BASF. Todas as soluções que pudermos apresentar que ofereçam redução de resíduos, possibilidade de reciclagem, compostagem, redução de pegada de carbono, entre outros atributos, têm destaque nos negócios.

Desde 2002, Suvinil, marca de tintas imobiliárias da BASF, usa embalagens de PET reciclado na produção dos principais esmaltes e vernizes. Unindo esforços de pesquisa e tecnologia, conseguimos substituir parte da matéria-prima virgem derivada de petróleo pelo material reciclado. Com essa produção de resina, 1.500 toneladas de matéria-prima virgem, derivada de um recurso não renovável, são poupadas e cerca de 35 milhões de garrafas PET são retiradas do meio ambiente por ano. Também se reduz proporcionalmente a geração de efluentes na reação de polimerização.

Para resolver a questão do descarte das embalagens de seus defensivos químicos no campo, a BASF integra o Sistema Campo Limpo, que atua desde 2002 para fazer a logística reversa desses materiais com destinação final apropriada e tem o Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV) como entidade gestora. Desde o início do programa até março de 2023 já foram retiradas do meio ambiente mais de 700 mil embalagens vazias. O descarte adequado impede a contaminação do solo, das águas superficiais e lençóis freáticos, além de evitar a emissão de gases geradores do efeito estufa.

Como cofundadora da Alliance to End Plastic Waste (AEPW) global, a BASF tem o compromisso de desenvolver soluções para eliminar os resíduos plásticos que não são descartados apropriadamente e acabam no meio ambiente, principalmente no oceano.

A BASF também é membro do World Plastics Council, que promove temas de relevância global relacionados às indústrias, como o uso responsável de plásticos, gestão eficiente de resíduos e soluções para o lixo marinho, e participa de dois programas da Ellen MacArthur Foundation. Além disso, a BASF implementou a Operation Clean Sweep, uma iniciativa internacional da indústria de plásticos para evitar a disseminação de escamas, grânulos e pós de plásticos no meio ambiente.


“É essencial investir na reciclagem. Queremos manter o plástico na economia oferecendo maior qualidade ao produto final reciclado”

 

3- A respeito de tornar o plástico mais circular, quais as principais ações da BASF nesse sentido?
Nossa iniciativa mais recente une digitalização e economia circular, o reciChainTM. É uma rede empresarial que visa escalar soluções de economia circular por meio de uma plataforma colaborativa em blockchain. Em março foi lançada a emissão dos primeiros tokens digitais referentes ao investimento em uma nova planta de triagem de resíduos pós-consumo: a Unidade de Valorização Sustentável da Solví Essencis, no município de Caieiras (SP). A infraestrutura, após licenciada, permitirá recuperar materiais recicláveis que seriam destinados a aterros sanitários, e gerar o equivalente em tokens de logística reversa. De outro lado, empresas que tenham metas relacionadas à recuperação de resíduos pós consumo podem adquirir estes tokens digitais, que darão acesso a evidências verificadas e auditadas, que servem para o atendimento dos requisitos legais e, ao mesmo tempo, financiar projetos de infraestrutura e adicionalidade, impulsionando a economia circular. É uma relação de ganha-ganha. Assim, o reciChainTM tem o objetivo de conectar os diversos atores na cadeia de valor da reciclagem, acelerar investimentos em infraestrutura – especialmente aqueles com impacto social positivo – como também assegurar transparência e aumentar as taxas de reciclagem no Brasil, viabilizando caminhos para a tão almejada economia circular.

Dentre as soluções que já permitem a economia circular do plástico, vale destacar reciclagem química de resíduos plásticos por meio do projeto ChemCycling. Usando processos termoquímicos, os resíduos plásticos podem ser utilizados para produzir gás de síntese ou óleo de pirólise. As matérias-primas recicladas resultantes podem ser usadas como insumos na produção da BASF, substituindo parcialmente os recursos fósseis. Este é mais um marco no uso responsável de recursos e um exemplo de como a companhia está lidando com os desafios globais e, ao mesmo tempo, ajudando seus clientes a alcançarem seus objetivos de sustentabilidade.

Com base nesse tipo de reciclagem, está disponível a linha de poliamidas, a Ultramid CcycledTM, que oferece diversos “grades” fabricados a partir de resíduos reciclados do processo de produção, em diferentes etapas, tanto derivados da produção de poliamidas na BASF, como também opções que incorporam materiais classificados como pós-consumo, reforçando o conceito de circularidade. Assim, a BASF também pode oferecer aos seus clientes materiais com um balanço de massa de materiais reciclados. Há ainda a poliamida Ultramid BMBcert, método de balanço de biomassa (BMB), certificado pela REDcert, que ajuda a preservar matérias-primas fósseis.



4- A reciclagem de plásticos ainda enfrenta muitos desafios importantes. Quais a BASF entende como os mais complexos? E como ampliar o conteúdo reciclado das embalagens plásticas no Brasil?
Há diversos desafios – desde a limpeza dos resíduos contaminados por impurezas, reciclagem de embalagens com misturas de resinas diferentes, materiais altamente degradados ou até aplicações que ficaram expostas ao ambiente externo, por exemplo.

Para resolver esses desafios, além do método de reciclagem avançada Chemcycling, realizado na Alemanha, a empresa oferece no Brasil e região o portfólio B-Cycle. São soluções para apoiar a reciclagem mecânica, resolver desafios em relação aos materiais e melhorar a qualidade e performance do material reciclado, garantindo que ele retorne mais vezes em novos produtos para o consumidor. O B-Cycle contempla as diversas etapas do processo de reciclagem: desde a triagem de resíduos, com a tecnologia trinamiX, que identifica com precisão a composição dos plásticos, passando pela lavagem adequada para reduzir mau odor e contaminações, até a extrusão e conversão, com aditivos que evitam degradação oxidativa e térmica, garantindo a qualidade e preservando as propriedades mecânicas do material reciclado.

 

“O reciChainTM tem o objetivo de conectar os diversos atores na cadeia de valor da reciclagem, acelerar investimentos em infraestrutura – especialmente aqueles com impacto social positivo – como também assegurar transparência e aumentar as taxas de reciclagem no Brasil, viabilizando caminhos para a tão almejada economia circular”

 

5- O setor plástico vem reforçando a importância do consumo consciente e do descarte correto do material. Quais iniciativas a BASF, como indústria química, tem realizado em prol da educação ambiental do consumidor final?
A BASF apoia as diversas iniciativas de seus clientes nessa conscientização e busca conectar clientes, parceiros, startups, universidades e outros participantes de toda a cadeia para buscar soluções para os desafios da sustentabilidade e da economia circular de forma colaborativa.

Recentemente, foi realizado no onono – Centro de Experiências Científicas e Digitais, o evento Recap K-Fair, trazendo destaques para as diversas iniciativas realizadas no Brasil e em outros países da América do Sul em busca da maior circularidade dos plásticos.



6- A BASF oferece os chamados “bioplásticos”, soluções biodegradáveis e compostáveis para embalagens produzidas em diversos tipos de processo de transformação. Explique como são essas soluções. Em quanto tempo se decompõem e em quais ambientes?
O bioplástico ecovio já é oferecido em diversos grades e pode ser utilizado para filmes flexíveis (strech), para revestimento de papel e papelcartão para embalagens de alimentos e bebidas, sacos para embalagem e sacolinhas para compras e até para sistema de EPS, para embalagens de transporte de produtos que necessitam de refrigeração ou isolamento térmico. Todas as aplicações podem ser destinadas à compostagem após o uso.

Os bioplásticos da BASF devem ser expostos a uma situação de compostagem, com microrganismos, umidade e temperatura e oxigênio propícios. No término de sua decomposição, o plástico transforma-se em água, CO2 e biomassa (adubo). No ambiente adequado, os bioplásticos ecoflex e ecovio podem se biodegradar num prazo de até 180 dias.

Eles permitem a reciclagem orgânica de resíduos de alimentos e embalagens sujas de alimentos, aumentando assim o desvio de resíduos do aterro sanitário e da incineração.



7- Considerando que no Brasil não temos infraestrutura de compostagem em massa, explique como seriam os benefícios dessas embalagens para a sociedade.
As aplicações de biopolímeros certificados como biodegradável e compostável, como o ecovio, realmente devem ter a correta destinação do produto após a sua vida útil para não desperdiçar o principal atributo do produto, que é a sua compostabilidade. Esses materiais são aliados no gerenciamento de resíduos sólidos orgânicos, se usados como alternativa na coleta e destinação dos resíduos às centrais de compostagem, eliminando a fase de separação das embalagens. Isto diminui de forma significativa o descarte em aterros sanitários e lixões, contribuindo assim para uma menor geração de gás metano e consequentemente protegendo a camada de ozônio – além de gerar adubo de qualidade.

A solução para os resíduos sólidos orgânicos por meio de compostagem deverá ser definida a médio e longo prazo pelas cidades, de acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Já há iniciativas de sucesso, como a realizada pela Oeko, que produz embalagens com ecovio com foco em sacos compostáveis que possibilitam a coleta seletiva de resíduos orgânicos. Seus clientes são hospitais, fábricas e restaurantes, entre outros parceiros, que se comprometem com a destinação final para a compostagem. Esse tipo de iniciativa estimula a ampliação das infraestruturas de compostagem.

Assim, o uso dos bioplásticos pode assegurar que maiores volumes destes materiais sejam enviados à compostagem, diminuindo de forma significativa o descarte em aterros sanitários e lixões, além de gerar um adubo que pode ser utilizado, por exemplo, em pequenas propriedades agrícolas e áreas verdes das cidades.



8- Como surgiu e qual é o objetivo da Fundação Espaço Eco?
A Fundação Espaço ECO é uma consultoria de sustentabilidade para América do Sul com foco em orientar e impulsionar a jornada sustentável de empresas que pensam a longo prazo e queiram desenvolver valor econômico, social e ambiental de forma integrada. Atua também com o caráter de Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), e dessa forma, o trabalho tem comprometimento com diferentes públicos, como: sociedade, empresas, academia e governo. Desde 2005 temos a BASF como mantenedora.

A governança garante que a organização tenha transparência, segurança, competência e agilidade necessárias para as tomadas de decisões. Conquistamos as certificações ISO 9001:2008 (Sistema de Gestão de Qualidade) e ISO 14001:2004 (Sistema de Gestão Ambiental), que garantem a transparência, o rigor técnico e o comprometimento à governança.

A Fundação Espaço ECO dialoga com empresas, clientes da BASF e parceiros para materializar suas jornadas sustentáveis a partir do desenvolvimento de projetos e estudos para compreender e medir impactos econômicos, sociais e ambientais de produtos e processos sob a ótica da sustentabilidade, melhorando a performance dos negócios. Medimos os impactos de produtos e processos, fazemos a gestão de capital natural das instituições e apoiamos à estratégia e governança de sustentabilidade.

Acompanhamos empresas em diferentes estágios de maturidade nestes temas para sermos facilitadores desta transformação, sempre com o foco em quatro pilares estratégicos, correlacionados ao Ciclo de Vida: Economia Circular, Cadeia de Valor, Bioeconomia e Capital Natural.

Em seus 18 anos, a Fundação Espaço ECO já elaborou mais de 250 estudos e projetos; tornou-se especialista na metodologia de Avaliação do Ciclo de Vida, que realiza a medição de impactos sob os aspectos ambiental, social e econômico de produtos e serviços ao longo de toda a cadeia de valor; contribuiu com a restauração de 800 hectares de florestas e com 1,4 milhão de árvores plantadas em 2022; contribuiu para remover mais de 187 mil toneladas de carbono da atmosfera, por meio do Programa Mata-Viva; formou mais de 25 multiplicadores nas sete edições do curso RenovaCalc.


“A Fundação Espaço ECO é uma consultoria de sustentabilidade para América do Sul com foco em orientar e impulsionar a jornada sustentável de empresas que pensam a longo prazo e queiram desenvolver valor econômico, social e ambiental de forma integrada”


9- E sobre a diminuição na emissão de CO2 e outros impactos ambientais, é possível explicar e detalhar as metas e objetivos da BASF, especialmente no Brasil?
A BASF apoia o acordo global de proteção climática, que tem como objetivo limitar o aquecimento global a menos de 2 graus Celsius. Para isso, contamos com produtos inovadores para aumentar a eficiência energética, como materiais de isolamento para edifícios ou para baterias, em linha com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável da ONU (ODS) número 13 – Ação contra a Mudança Global do Clima.

Também definimos metas globais desafiadoras, como a redução das emissões de gases de efeito estufa em 25% até 2030 – em comparação com 2018 -, com a perspectiva de uma jornada rumo à neutralidade climática e atingir emissões líquidas zero até 2050.

Na área de pesquisa e desenvolvimento, sempre pensamos a criação dos nossos produtos sob a ótica da sustentabilidade. Por isso, analisamos todo nosso portfólio e o classificamos de acordo com sua contribuição para a sustentabilidade. Desenvolvemos uma base de dados corporativa para calcular a Pegada de Carbono dos Produtos (PCP), nos mais de 45 mil produtos, numa lógica de “do berço ao portão”, que inclui todas as emissões de gases de efeito estufa relacionadas ao produto geradas até que um produto BASF deixe os portões de fábrica.

Estamos atentos às possibilidades que a economia circular pode oferecer na indústria, já sendo uma prática no nosso processo produtivo: resíduos se tornam insumos em novos processos ou materiais podem ser reparados, reutilizados, atualizados ou reinseridos em novos ciclos ao invés de serem descartados.

A BASF tem se concentrando em três áreas de atuação: matérias-primas circulares, novos ciclos de materiais e novos modelos de negócios. Temos como meta global vender € 17 bilhões até 2030 em soluções para a economia circular. Até 2025, pretendemos processar 250 mil toneladas de matérias-primas circulares globalmente.

Outra iniciativa é o programa Zero Aterro, que já foi implementado em cinco fábricas na América do Sul. Nele, tratamos os resíduos buscando seu máximo reaproveitamento ao eliminar o descarte em aterros industriais. A proposta é reutilizar, reduzir e reciclar o excedente de materiais produzidos, retomando técnicas e práticas tradicionais, como a compostagem, a reutilização e o consumo consciente. Só o nosso Complexo de Tintas e Vernizes em São Bernardo do Campo (SP) já deixou de enviar 12 mil toneladas para aterros industriais desde que foi implementado, em 2015. Em 2020 alcançamos 98,8% de taxa de reciclagem dos resíduos gerados.

A água também é um fator importante para nossa cadeia de valor. Em toda a América do Sul, a companhia tem como meta diminuir em 35% a água captada por tonelada produzida nas fábricas até 2025 – e claro, em linha com os ODS 6, 9 e 12 da ONU.

O uso sustentável da água vai desde o abastecimento, passa pela utilização e reuso, com a devolução do recurso para o meio ambiente. De 2002 até 2022, o consumo por tonelada produzida já diminuiu em 60,4%. Sendo uma indústria de base, as soluções para o uso sustentável da água não ficam apenas dentro da companhia, mas também se estendem para toda a sua cadeia produtiva, incluindo outros setores da economia.

Para os setores de cuidados pessoais e de produtos para limpeza doméstica, por exemplo, que também precisam oferecer soluções sustentáveis, a BASF desenvolveu uma linha de produtos vegetais concentrados que garantem economia de água e de outros recursos, como eletricidade e insumos fósseis.

 

 

 

 

 

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