De acordo com os desenvolvedores, o resíduo de cúrcuma confere importantes propriedades à embalagem feita de amido que se decompõe no meio ambiente em até 31 dias
Editado por Flavius Deliberalli / Com informações da Agência SP / Crédito da imagem: Guilherme José Aguilar
Uma equipe de pesquisadores do Departamento de Química da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP formulou e produziu protótipos de bandejas com as principais qualidades do EPS (isopor) para armazenamento e transporte de alimentos, mas com o atributo de fácil decomposição na natureza.
De acordo com os pesquisadores, a nova formulação envolveu dois compostos principais: o amido (polímero biodegradável) e a cúrcuma (subproduto vegetal). O amido é um composto capaz de produzir espuma que, quando misturada com um resíduo vegetal como a cúrcuma, melhora sua consistência, otimizando a resistência à água e o isolamento térmico sem oferecer impactos ambientais.
“As bandejas de amido com cúrcuma são obtidas de fontes renováveis, são totalmente biodegradáveis e se decompõem rapidamente no ambiente”, declarou Guilherme José Aguilar, principal pesquisador do estudo, afirmando ainda que os protótipos de bandejas biodegradáveis criados oferecem vantagens ecológicas em relação ao EPS, uma vez que este pode se fragmentar em partículas muito pequenas, conhecidas como microplásticos, que permanecem no meio ambiente por séculos e representam um risco crescente para a fauna marinha, cadeias alimentares e para a saúde humana.
Os protótipos de bandeja contam com formulação de espuma, tendo como principais elementos o amido de mandioca e o resíduo da extração de pigmento de cúrcuma (muito usada na culinária). A composição da mistura também contou com glicerol, goma guar, estearato de magnésio e água. Para produção dos protótipos foi usada uma termoprensa industrial, máquina utilizada na indústria para moldar materiais sob pressão e calor.
O estudo avaliou quatro proporções de amido/cúrcuma: 100:0 (bandeja controle, sem resíduo), 90:10, 80:20 e 70:30. Essas variações, segundo os pesquisadores, permitiram analisar como a quantidade do resíduo da extração de pigmento de cúrcuma influenciava as propriedades físicas, mecânicas e funcionais dos protótipos de bandeja, que também foram submetidas a testes comparativos com as bandejas feitas de isopor, verificando propriedades de biodegradabilidade e resistências à água e ao calor.
A cerca dos resultados dos testes realizados, os pesquisadores informaram que as análises finais mostraram que a adição de cúrcuma na composição das bandejas foi responsável por menor absorção de água, melhor repelência ao contato com líquidos e porosidade reduzida. Já em comparação com as bandejas de isopor, embora as bandejas de amido com resíduo de cúrcuma não sejam totalmente impermeáveis como as bandejas de EPS, elas demonstraram maior resistência mecânica e menor alongamento.
Em relação à resistência ao calor, os protótipos se deterioraram a partir dos 250°C e, por esse motivo, não são recomendados para uso em fornos ou em situações de calor intenso, sendo então o uso recomendado em temperaturas de até 100 °C. Desta forma, a principal recomendação de uso das bandejas seria em embalagens para alimentos do tipo fast-food ou para alimentos perecíveis, como frutas, legumes e vegetais, que exigem armazenamento seguro, porém em temperatura ambiente ou refrigerada.
Sobre biodegradabilidade, aspecto mais importante do estudo, os pesquisadores informaram que os testes envolveram o enterro das amostras do material em solo rico em matéria orgânica a uma profundidade de 3 centímetros durante 31 dias, simulando as condições naturais de descarte no meio ambiente. A bandeja controle, feita com 100% de amido, se degradou completamente em apenas 14 dias, enquanto as que continham resíduo de cúrcuma levaram mais tempo para se decompor, de 28 a 31 dias.
Mais informações:
FFCLRP – USP
www.ffclrp.usp.br/departamentos/dq/



















