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O futuro não é sem plástico, é com o plástico certo

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Desafio não é eliminar o plástico, mas reinventá-lo

Por Gabriela Gugelmin*

Recentemente, ao embarcar em um voo da Latam, notei algo que traduz com perfeição o novo momento do consumo: tudo virou papel. O copo, o talher, a embalagem da comida, até o antigo saquinho que envolvia a manta foi substituído por uma simples cinta de papel. À primeira vista, parece um avanço, afinal, o papel é percebido como mais “sustentável”. Mas a reflexão que essa experiência desperta vai além da aparência: o que a indústria plástica está fazendo para não perder esse mercado em transformação?

O que aconteceu nesse caso é emblemático. Empresas que por anos forneceram copos, talheres e embalagens plásticas para companhias aéreas perderam espaço para o setor de papel. E isso não aconteceu apenas porque o papel é mais ecológico, mas porque a indústria plástica, em muitos casos, ainda não conseguiu se posicionar como parte da solução. Faltam produtos compostáveis e biodegradáveis com a mesma eficiência do plástico tradicional, capazes de atender às exigências de custo, resistência e sustentabilidade de companhias que buscam um novo posicionamento ambiental.

O paradoxo é que, em boa parte dos casos, o “plástico do mal” foi apenas substituído por um “papel disfarçado de sustentável”. O copo de papel, por exemplo, ainda contém uma camada interna de plástico para evitar vazamentos, o que o torna não reciclável e de difícil decomposição. Ou seja, trocou-se um material reciclável por outro que, na prática, continua problemático. Se as empresas fornecedoras de plásticos tivessem oferecido materiais compostáveis, que mantêm a eficiência, são resistentes à umidade e mais baratos em larga escala, a história poderia ser diferente.

Mais do que uma ameaça, essa mudança representa uma oportunidade estratégica. Ambientes controlados, como aeronaves, estádios e conferências, são ideais para a adoção de soluções compostáveis. Nesses espaços, todos os resíduos seguem a mesma rota: se copos, talheres, embalagens e até os sacos de lixo fossem feitos de um único material compostável, o descarte poderia ser centralizado em compostagem industrial. A logística seria simplificada e o impacto ambiental, de fato reduzido.

O desafio, portanto, não é eliminar o plástico, mas reinventá-lo. A indústria precisa investir em inovação, pesquisa e desenvolvimento de novos materiais, especialmente os compostáveis, de fonte renovável e com destinação clara. O futuro não será de quem eliminar o plástico, mas de quem souber transformar o plástico em uma solução ambientalmente inteligente.

Enquanto companhias aéreas e grandes marcas buscam mostrar compromissos reais com a sustentabilidade, há um espaço aberto, e cada vez mais competitivo, para o plástico que quer voar mais alto. E quem inovar agora, tem a chance de embarcar na frente.

**As opiniões expressas e os dados apresentados em artigos são de inteira responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente, o posicionamento dos editores do Conecta Verde. 

 

Conteúdo por:

Gabriela Gugelmin

*Graduada em Economia com especialização em Desenvolvimento Sustentável pela Columbia University (NYC) e diretora de Estratégia e Sustentabilidade da Earth Renewable Technologies (ERT).

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