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M. Dias Branco busca aliar sua tradição à sustentabilidade

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Em entrevista exclusiva, empresa do ramo alimentício detalha metas e avanços que visam a redução do impacto ambiental de sua atividade

Por Elen Nunes / Editado por Flavius Deliberalli

A M. Dias Branco é uma das mais tradicionais empresas do ramo alimentício do país. Fundada em 1936, atua principalmente na produção de massas e biscoitos. Nesta entrevista, Tiago Timbó, gerente de Comunicação, Cultura e Sustentabilidade da empresa, revela quais são as metas e ações que estão sendo implantadas para diminuir o impacto ambiental de sua atividade.

Confira agora:

1- Nos conte sobre os avanços em sustentabilidade na M. Dias Branco?
Para a M. Dias Branco, a sustentabilidade é tema estratégico. Por isso, a companhia anuncia a Agenda de Sustentabilidade, com metas a serem atingidas até 2030. No total, são 15 temas prioritários, que serão seguidos com base nos pilares: cuidar do planeta (Ambiental), acreditar nas pessoas (Social) e fortalecer alianças (Governança), representando o ESG.

Cuidar do planeta, para a M. Dias Branco, significa gerenciar os impactos ambientais e promover a eficiência no uso dos recursos naturais. Acreditar nas pessoas é nossa premissa para promover o desenvolvimento social e o bem-estar dos indivíduos. A companhia ainda entende que fortalecer alianças tem a missão de aprimorar a governança para um desenvolvimento sustentável em toda a cadeia de valor.

Conseguimos alcançar grande parte das metas da agenda anterior, com importantes conquistas e evoluções. Agora, com ainda mais ambição, as metas estão focadas nas temáticas: água, energia, mudanças climáticas, embalagens sustentáveis, relacionamento com as comunidades, capital humano, diversidade e inclusão.

Saúde e segurança, alimentos saudáveis e nutritivos, e cadeia de valor sustentável também fazem parte dos temas prioritários em sustentabilidade da companhia. Os temas segurança de alimentos, riscos e oportunidades em sustentabilidade, governança, ética e integridade, e combate à perda e ao desperdício de alimentos foram adicionados e passam a compor essa estratégia de agora em diante.

Uma das maiores metas colocadas pela M. Dias Branco na nova agenda é em relação ao tema “embalagens sustentáveis”. Enquanto o último relatório previa reduzir o consumo total de plástico em 1,2%, a nova meta impõe que 100% das embalagens sejam recicláveis, compostáveis ou biodegradáveis.

Para o tema “água”, almejamos reutilizar até 20% desse recurso até 2025 e até 30% nos próximos oito anos. Com a pior seca que o país vem enfrentando em 91 anos, o sistema da fábrica em Eusébio (CE), onde fica a matriz, já permite que 100% da operação produtiva da unidade seja abastecida a partir do reaproveitamento da água de chuva. As unidades de Jaboatão dos Guararapes (PE) e Salvador (BA) também já reutilizam parte de águas pluviais. O objetivo é que a iniciativa se estenda a todas as fábricas.

Outra proposta é reduzir a zero a quantidade de resíduos enviados para aterros em todas as operações até 2030. A M. Dias Branco já trabalha com aterro zero, operando com 100% dos resíduos destinados de forma sustentável na unidade de Jaboatão dos Guararapes (PE). Em 2021, a unidade evitou o despejo de mais de 550 toneladas de resíduos em aterro.

Em “mudanças climáticas”, pretendemos reduzir em 10% as emissões absolutas de Gases do Efeito Estufa (GEE) até 2025. Em 2021, a M. Dias Branco anunciou projetos de compensação ambiental no Nordeste e no Sul do Brasil e recuperação de manguezal, além de ampliação de apoio na conservação e proteção de área da Caatinga, fortalecendo nosso compromisso com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, tais como o ODS 15 – Vida na terra, que visa proteger, restaurar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, travar e reverter a degradação dos solos e travar a perda da biodiversidade.

O “combate à perda e ao desperdício de alimentos” foi acrescentado à Agenda de Sustentabilidade neste ano. A meta do tema para 2030 está diretamente alinhada com a Meta do Brasil nos ODS da ONU de reduzir em até 50% tais desperdícios.

Já em “energia”, a companhia almeja alcançar 90% de utilização da energia renovável até 2030. O alcance dessa meta está atrelado aos projetos de autogeração de energia que já estão em curso.

Outro tema importante é sobre “diversidade e inclusão”, em que fica previsto que, pelo menos, 40% de mulheres estejam em cargos de liderança até 2030. É considerada liderança os cargos acima de gerência.

As metas também incluem índice de satisfação dos colaboradores, medido em pesquisa externa, e o número médio de horas de treinamento ofertado ao time por ano. Neste caso, o volume passaria de 32h em média para o mínimo de 50h por ano.

“Uma das maiores metas colocadas pela M. Dias Branco na nova agenda é em relação ao tema embalagens sustentáveis. Enquanto o último relatório previa reduzir o consumo total de plástico em 1,2%, a nova meta impõe que 100% das embalagens sejam recicláveis, compostáveis ou biodegradáveis”

2- Qual a importância dos fornecedores de embalagens que atendem vocês, também atuarem de forma sustentável? O tema é critério de escolha para os atuais parceiros?
A M. Dias Branco tem compromissos claros e robustos com relação a meio ambiente, sociedade e governança. Para atingir os objetivos, é de suma importância que toda a nossa cadeia de fornecimento esteja também comprometida com práticas sustentáveis. Neste sentido, estimulamos nossos fornecedores a serem signatários do Código de Conduta de Fornecedores no momento de seu cadastro em nosso portal de relacionamento. O Código de Conduta traz diretrizes e orientações completamente alinhadas com as boas práticas ESG e com os respectivos ODS. Adicionalmente, nosso processo de homologação e qualificação de fornecedores leva em consideração os aspectos associados à agenda ESG, entre outros existentes em seus negócios.


3- Quais as dificuldades que encontram para ampliar portfólio de embalagens de menor impacto ambiental?
A baixa disponibilidade de embalagens sustentáveis próprias para alimentos e o elevado custo estão entre as principais dificuldades para ampliar o portfólio de embalagens de menor impacto ambiental. As embalagens específicas para alimentos precisam atender a diversos requisitos para a conservação do produto, tais como: conter propriedades de barreira a gases, conservação de aroma e sabor do alimento, adaptação à luz e à umidade, bem como resistência a microrganismos e resistência mecânica. Tais fatores, quando somados aos aspectos que promovam a mitigação de impactos ambientais, demandam inovação e tecnologia em embalagens, o que dificulta a transição. Na M. Dias Branco, temos um grupo de trabalho focado em buscar oportunidades para mitigar essas dificuldades.

Preocupados com essa situação, temos buscado meios alternativos para reduzir tais impactos, podendo destacar a reutilização e reciclagem das embalagens, com o apoio a programas de recuperação de embalagens pós-consumo, redução de plástico das embalagens, bem como a busca por fornecedores que promovam o desenvolvimento de polímeros verdes e materiais biodegradáveis para avaliação de oportunidades que ajudem nessa transição.

O Grupo de Trabalho Embalagens (GT) conta com a participação de diferentes áreas: Pesquisa & Desenvolvimento, Suprimentos, Meio Ambiente, Marketing, Sustentabilidade e Comunicação. Por meio desse GT, estamos buscando um posicionamento sustentável para tratar a temática focada em embalagens.

“Preocupados com essa situação, temos buscado meios alternativos para reduzir tais impactos, podendo destacar a reutilização e reciclagem das embalagens, com o apoio a programas de recuperação de embalagens pós-consumo, redução de plástico das embalagens, bem como a busca por fornecedores que promovam o desenvolvimento de polímeros verdes e materiais biodegradáveis para avaliação de oportunidades que ajudem nessa transição”


4- Há embalagens sustentáveis no atual portfólio de produtos da empresa? Quais? É possível detalhar atributos de sustentabilidade da embalagem citada?
Estamos trabalhando para isso. Em 2021, conseguimos reduzir 0,71% de plástico flexível das embalagens e deixamos de consumir 99,34 toneladas de filmes, com um acumulado de redução de 1,48% e 1.093,35 toneladas entre 2017 e 2021. Há um limite de espessura da embalagem para proteção do produto e maquinabilidade. Portanto, é necessário usar o mínimo de plástico, sem comprometer a função da embalagem e a produtividade das fábricas. A redução do peso das embalagens plásticas configura um grande desafio tecnológico. Além disso, alcançamos a meta de utilizar 100% do volume de caixas de papelão e papel cartão de material reciclado e/ou kraft (virgem) provenientes de matéria-prima extraída de florestas manejadas. Sobre a meta de introduzir filmes para enfardadeiras com material 100% reciclado, consumimos em 2021 525.618kg de filmes de enfardar reciclados pós-consumo, o que representa 59% do volume da Companhia (exceto Moinhos). Desde 2017, estamos ampliando o consumo de filme de enfardar reciclado, reduzindo a quantidade de resina virgem utilizada.

“Em 2021, conseguimos reduzir 0,71% de plástico flexível das embalagens e deixamos de consumir 99,34 toneladas de filmes, com um acumulado de redução de 1,48% e 1.093,35 toneladas entre 2017 e 2021”

 

5- E considerando o futuro das embalagens M Dias Branco? Há planos e/ou metas estabelecidas para reduzir o impacto ambiental?
Temos uma nova Agenda de Sustentabilidade para o ciclo de 2022 a 2030, buscando conectar ainda mais nossas ações com as prioridades sociais, ambientais e de governança da atualidade, inclusive com compromissos públicos de longo prazo. Considerando embalagens, assumimos a meta de deixar nossas embalagens plásticas de produto acabado 100% reciclável e/ou compostável e/ou biodegradável até 2030. Para reduzir o impacto ambiental das embalagens a longo prazo, estabelecemos a meta de recuperação de 28% de embalagens pós-consumo.

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