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Embalagem certificada: consumidor mais informado e atento reforça a importância de empresas e marcas comprovarem ações de redução de impacto ambiental

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Nesta matéria especial, conheça alguns dos principais selos e certificações que atuam na área de embalagens

Texto: Elen Nunes / Edição: Flavius Deliberalli

Recentemente publicamos uma pesquisa realizada pela InPress Porter Novelli, uma das maiores agências de comunicação corporativa do Brasil, em parceria com o Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados (IBPAD), que revelou que 90% dos consumidores entrevistados confiam mais em uma empresa com propósito, 88% preferem comprar marcas que defendem algo maior do que seus produtos e serviços e 76% dizem perceber quando uma empresa age de forma contrária aos seus valores. As questões emergenciais do planeta figuram entre os principais critérios de escolha e possuem um valor acentuado para esse novo e mais consciente consumidor.

Em contrapartida, a população ainda tem muita dificuldade em identificar quando um produto é mais amigo do meio ambiente, e é aí que a embalagem, que sempre foi ferramenta de comunicação ao consumidor e posicionamento de marca, agora mais do que nunca, tem sua importância ressaltada com uma nova missão: levar ao consumidor informações em relação ao impacto ambiental da produção, uso e descarte.

E nessa nova história entram também os selos de certificações ambientais, pois além de serem fundamentais para evolução dos processos, também colaboram para a educação ambiental da sociedade.


Os selos
No mercado de embalagens, diferentes iniciativas se destacam e contribuem para fomentar a necessidade de produção de menor impacto, além de estimular ações como reciclagem, economia circular, logística reversa e compensação ambiental, como é o caso da eureciclo.

Desde 2017, com a missão de elevar as taxas de reciclagem e criar valor para todos os agentes dessa cadeia, a eureciclo criou um mecanismo de oferta e demanda de certificados de reciclagem rastreáveis, que resultam em um fluxo de contínuos investimentos para o desenvolvimento do setor.

A tecnologia por trás da solução da eureciclo utiliza o conceito de compensação ambiental, amplamente aplicado na Europa e que contribuiu para que a Espanha, por exemplo, saltasse de 4,7% de embalagens recicladas em 1998 para 78,8% em 2018, de acordo com a Ecoembes. Esse mecanismo permite que as marcas invistam na reciclagem de uma massa equivalente às embalagens que colocam no mercado, nas mesmas regiões onde comercializam.

Segundo Jessica Doumit, relações institucionais e jurídico da eureciclo, após o uso, as embalagens ainda tem um destino difuso, especialmente num território de dimensões continentais como o Brasil, onde o desafio se torna ainda maior na implementação da logística reversa. Diante disso, a compensação ambiental é considerada uma forma mais viável técnica e economicamente para cumprir com a logística reversa desses resíduos. Ao direcionar para reciclagem resíduos equivalentes aos seus, em peso e material, as empresas de bens de consumo, remuneram os operadores de coleta e triagem pelo serviço ambiental prestado e recebem os Certificados de Reciclagem como forma de comprovação legal. É um mecanismo financeiro que ajuda a equilibrar os impactos dos resíduos sólidos na natureza, incentiva a cadeia de reciclagem de materiais complexos e oferece sustentabilidade financeira para o setor. “Quando uma empresa que produz embalagens escolhe um parceiro como a eureciclo para compensar seus impactos, esse tipo de compromisso fica ainda mais evidente em toda a cadeia de reciclagem. É muito valioso perceber que elas estão comprometidas, mas sabemos que há uma infinidade de setores que usam embalagens e, por isso, precisam se responsabilizar pelo destino dos resíduos. Por isso, temos diversos segmentos presentes na nossa base de clientes”, considera Jessica.

“Quando uma empresa que produz embalagens escolhe um parceiro como a eureciclo para compensar seus impactos, esse tipo de compromisso fica ainda mais evidente em toda a cadeia de reciclagem. É muito valioso perceber que elas estão comprometidas”

O crescimento exponencial de parceiros da eureciclo mostra que a demanda está em alta e que cada vez mais empresas buscam, seja por propósito ou para cumprir a lei, uma maneira de amenizar (ou até mitigar) seus impactos no meio ambiente.

Os clientes que realizam a contratação da eureciclo e optam pela compensação a nível nacional recebem o selo eureciclo para estampar suas embalagens e comunicar aos consumidores seu compromisso com a reciclagem. Todo o processo é auditado pela Ernst & Young.  Atualmente há três tipos de selos: 22%: informa e garante que a marca promove a reciclagem de 22% da sua massa de embalagens, valor mínimo exigido pela legislação, reduzindo seu impacto no meio ambiente; 100%: informa e garante que a marca vai além da obrigação legal e compensa toda a emissão de embalagens, mitigando o impacto da sua atuação na natureza; 200%: informa e garante que a marca atua com ação regenerativa, ou seja, encaminha para a reciclagem o dobro da massa de suas embalagens, gerando impacto positivo. Para este caso, cada embalagem comercializada resulta em duas iguais recicladas.

Além da tendência de conscientização global ambiental, o alcance amplificado da iniciativa veio junto com os desdobramentos da PNRS (Política Nacional de Resíduos Sólidos nº 12.305/2010), criada com o objetivo de reduzir e destinar corretamente os resíduos sólidos gerados no país. Ela traz o conceito de logística reversa e a responsabilidade dos fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes pela sua implementação com relação às embalagens em geral após o uso do consumidor, com meta progressiva estabelecida em acordo setorial, atualmente definida em 22%. “A procura por compensações maiores é um sinal de que a sustentabilidade é, para muitas delas, uma questão básica, fundamental, e isso faz parte da nossa mudança de mentalidade, como cidadãos, sobre nossa responsabilidade com o futuro do planeta”, ressalta a representante da eureciclo.

 

Jessica Doumit, da eureciclo

Outra iniciativa recente e relevante é a Carbon Free®, criada em 2019 pelo biólogo brasileiro Luiz Henrique Terhorst e pela administradora Julia Sens, com base em iniciativas que já realizavam a neutralização de carbono com créditos de carbono. A dupla sentia falta de algo que contribuísse localmente para a melhoria da qualidade do ar, qualidade da água e a paisagem das cidades. Assim, desenvolveram o projeto para plantar árvores nativas nas cidades e neutralizar o carbono de empresas, que podem, então, utilizar o selo.

Na prática, o projeto neutraliza as emissões das empresas com o plantio de árvores nativas. Para isso, realizam primeiro o estudo técnico de quanto carbono a empresa emite através de dados que coletam mensalmente com a organização (consumo de energia, deslocamentos, consumo de água, etc), calculam então o número de árvores necessárias para a compensação dessas emissões e realizam o plantio e manutenção dessas mudas ao longo de quatro anos.

Com a realização do estudo técnico e da neutralização do carbono com o plantio de árvores, a empresa recebe a certificação e pode realizar o uso do selo Carbon Free®. “Desde o início, nosso intuito era fortalecer o consumo sustentável nas cidades brasileiras, possibilitando também a ação climática, para ajudar as empresas a serem melhores e ao mesmo tempo melhorar o ambiente das cidades. Ao buscar o Carbon Free®, as empresas estão mostrando a seus clientes a sua preocupação com a cidade que vivem e com o meio ambiente. Isso contribui muito com a imagem institucional e com a reputação da empresa. E mostra que isso não é assunto do futuro. Quem não toma ações hoje, já está ficando para trás”, explica Luiz Henrique Terhorst.

“Desde o início, nosso intuito era fortalecer o consumo sustentável nas cidades brasileiras, possibilitando também a ação climática, para ajudar as empresas a serem melhores e ao mesmo tempo melhorar o ambiente das cidades. Ao buscar o Carbon Free®, as empresas estão mostrando a seus clientes a sua preocupação com a cidade que vivem e com o meio ambiente”

O criador do Carbon Free® enfatiza que neste ano houve um aumento expressivo no número de empresas que procuraram adotar o selo, muito relacionado com a chegada da marca em São Paulo. A atuação do selo compreende também o Rio de Janeiro, Curitiba e Belo Horizonte, além de Florianópolis (cidade onde a iniciativa começou). Outro dado importante é que o selo leva o nome de cada cidade onde se localiza e o plantio das árvores também acontece localmente, de cidade em cidade, a fim de construir um Brasil mais sustentável. E sempre que possível, as ações de plantio incluem colaboradores das empresas, o que colabora também com a formação da consciência ambiental e dissemina uma cultura de sustentabilidade entre todos os envolvidos.

A equipe do Carbon Free® conta também que segue, em todo o processo, as disposições das metodologias internacionais, com destaque à ISO 14064, GHG Protocol e Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (Intergovernmental Panel on Climate Change – IPCC). “É importante destacar que hoje não existe regulamentação para esse tipo de declaração ambiental no Brasil, o que é uma pena. Precisamos evoluir nesse tipo de discussão, para evitar empresas que realizam o greenwashing e garantir que essas ações sejam verdadeiras. O consumidor é cada vez mais exigente em relação à comprovação das ações que são tomadas e que sejam apresentados dados, números, ações concretas que representem cada declaração ambiental”, reforça Luiz.

Luiz Henrique Terhorst, da Carbon Free

Desde a década de 1990, quando se intensificaram as discussões sobre ações humanas que resultariam em escassez de recursos naturais, ampla degradação do meio ambiente e grave crise climática, certificações intensificaram auditorias e revisões de processos e se consagraram como comprovação fundamental em alguns setores. Este é o caso do FSC (Forest Stewardship Council), uma organização independente, não governamental, sem fins lucrativos, que promove o manejo florestal responsável ao redor do mundo desde 1994.

O conceito da certificação surgiu como uma forma de controle das práticas produtivas florestais, por meio da valorização, no mercado, dos produtos originados de manejo responsável das florestas. Como é o caso do papel, matéria-prima para embalagens.

Presente em mais de 80 países, no Brasil possui a missão de difundir e facilitar o bom manejo das florestas brasileiras, desenvolve projetos para fomentar o crescimento do sistema, assegurando credibilidade e transparência.

O FSC certifica toda a cadeia de extração e transformação de produtos florestais madeireiros e não madeireiros. Para obter a certificação, todas as etapas da cadeia de produção devem atender às exigências da organização, que visa garantir práticas ambientalmente adequadas, socialmente benéficas e economicamente viáveis.

 

“No caso do setor de embalagens de papel especificamente, existe uma necessidade constante de explicar a origem da madeira, demonstrando que vem de plantações florestais e não de desmatamento”

Segundo o FSC, o crescimento da área de florestas certificadas responde às exigências dos mercados, que não querem correr o risco de se verem envolvidos em denúncias de desmatamento. Entretanto, a certificação sozinha não é capaz de resolver todos os problemas. São diversas ações integradas que vão resultar em um ambiente de comercialização muito mais justo, onde a competição passa a ser com produtos legais, e não uma competição desleal com o mercado ilegal. “No caso do setor de embalagens de papel especificamente, existe uma necessidade constante de explicar a origem da madeira, demonstrando que vem de plantações florestais e não de desmatamento. Além disso, é preciso constantemente estabelecer processos de melhoria para garantir boas práticas ambientais e sociais, visando desmistificar questões que por muito tempo acompanham o setor, como por exemplo o uso da água e do solo”, resume Daniela Vilela, diretora executiva do FSC Brasil.

Em 2017, o FSC e GlobeScan realizaram pesquisa com cerca de 800 consumidores no Brasil. Dentre estes consumidores, 91% espera que as empresas garantam que seus produtos de madeira e papel não venham de desmatamento e 76% acreditam que informações sobre sustentabilidade nos produtos devem ser certificadas por uma organização independente. “O manejo é a ligação do nosso modo de vida atual, urbano, com as nossas raízes, lá na floresta. Felizmente, cada vez mais pessoas, empresas e governos estão cientes da sua importância. Todos deveríamos nos preocupar com o meio ambiente, afinal a nossa sobrevivência depende dele e é fundamental compreendermos os efeitos das ações humanas nos ambientes nativos, nas populações locais e na economia de maneira geral”, ressalta a diretora.

Daniela Vilela, do FSC Brasil

Outra certificação conceituada adotada por empresas que buscam reduzir impacto ambiental é a ISO 14001. No Brasil desde a década de 1990, cresceu impulsionada pela necessidade do mercado, chegando em 2020 a mais de 3000 certificados emitidos. Seu objetivo é tornar as operações das empresas mais sustentáveis, com mais engajamento e eficiência nos processos, além de contribuir com a sociedade para a construção de um mundo mais autossustentável.

“No Brasil, a cadeia produtiva e usuária de embalagens tem muito espaço para crescimento”

A SGS, uma das maiores certificadoras do mundo, considera que a ISO 14001 e a indústria no Brasil evoluíram muito nos últimos anos e destaca quatro principais pontos para o desenvolvimento dessa certificação por aqui: gerenciamento de impactos ambientais; redução de consumo de insumos para a produção; melhoria continua de sistema de gestão; gerenciamento e cumprimento de legislação local. “No Brasil, a cadeia produtiva e usuária de embalagens tem muito espaço para crescimento. Todos os anos, dezenas de empresas do setor ingressam, mas o número de empresas certificadas no Brasil ainda é baixo. Segundo o IDEIES, no Brasil existem mais de 3500 CNPJs ligados a atividade e menos de 20% envolvidos com a certificação, explica Gustavo Queiroz, gerente comercial de certificação da SGS.

Gustavo Queiroz, da SGS

Por fim, vale lembrar que todas essas iniciativas estimulam conceitos de sustentabilidade que podem ser aplicados às gestões estratégicas das empresas que produzem ou utilizam embalagens. A adesão a tais práticas não é obrigatória por lei e sim totalmente voluntária. Porém, certamente reforçam a comunicação dos valores e o posicionamento de marcas que se destacam por se preocuparem com as questões ambientais, e que naturalmente contribuem com as questões econômicas e sociais. Já para o consumidor, selos e certificações estabelecem confiabilidade e transparência no seu direito de escolha de que determinado produto passou por avaliação e está em conformidade com aquilo que ele acredita e/ou deseja consumir. Vale ressaltar ainda que esse consumidor acompanha atentamente a veracidade das práticas e que mais do que marketing verde, as organizações precisam contribuir para um mundo melhor genuinamente e de diversas maneiras. Essas são as empresas protagonistas do momento e que estarão presentes no futuro.

Conteúdo por:

Elen Nunes

Jornalista, editora e criadora do Conecta Verde

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