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Mulheres são protagonistas na prática de circularidade e sustentabilidade no Brasil

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De acordo com a professora Sueli Furlan, elas atuam fortemente nas visões mais ecológicas e sustentáveis do mundo



Por Sueli Furlan*
Crédito / Imagem: Mert Guller / Conexão Lusófona

As mulheres são a grande maioria na formação básica dos cidadãos brasileiros, no ativismo de organizações sociais e no setor de reciclagem. Com presença marcante nessas áreas, elas se tornam protagonistas da prática de circularidade e sustentabilidade no Brasil.

Além das conquistas históricas no mundo, o feminino também celebrou neste 8 de março, Dia da Mulher, um movimento importante no sentido de cuidar para tornar a sociedade um lugar com menos lixo e em que tudo se transforma para ser novamente utilizado, assim como na natureza.

Segundo dados do Censo Escolar 2021 do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), 96,3% dos professores da educação infantil, 88,1% nos anos iniciais e 66,5% nos anos finais do fundamental são mulheres, assim como 57,7% do ensino médio. Portanto, a ação delas é fundamental para a formação dos agentes sociais, meninas, meninos e jovens que vão transformar o mundo.

A pesquisa “Perfil das Organizações Sociais e Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público em Atividade no Brasil”, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), de 2020, mostra que as mulheres representam 72% da força de trabalho em Organização Social (OS) e 64% em Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip). O Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) divulgou que em 2021 as mulheres eram 70% dos 800 mil trabalhadores em atividade no Brasil. Além disso, elas também são maioria no Brasil. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 51,1% da população brasileira era do sexo feminino em 2021, o que representa 4,8 milhões de mulheres a mais que homens no país.

Afirmo que é muito interessante pensar o papel da mulher na economia circular, uma sociedade que não descarta, que vê todos os recursos e matérias-primas como circulares, produtos que estão sempre sendo reintroduzidos na natureza ou em processos industriais. A mulher tem atuado muito fortemente nos campos da visão mais ecológica e sustentável do mundo. E mais do que isso, a mulher tem um importante papel social na circularidade porque  participa da economia doméstica, do cuidado com os filhos, com a alimentação da família e está cada vez mais presente em todas as possibilidades de trabalho do mercado, introduzindo uma visão mais integrada no mercado, talvez mais arquetípica da nossa ligação com o observar, o cuidar, o promover o bem-estar, o manter uma família. Ocupam cargos, composições, difundem ideias. As mulheres contribuem com as diferenças!

As mulheres também se destacam porque predominam em postos chaves de terceiro setor, em cooperativas, sistemas de triagem e indústria de reciclagem.

Na economia circular, as conquistas femininas são relevantes, indo da criação da Fundação Ellen MacArthur, idealizada para apoiar organizações sociais, liderada a princípio por uma mulher, até as ações de  transformação comportamental, com a divulgação, difusão, formação e educação, em que as mulheres são predominantes.

No Fórum de Economia Circular das Américas, no Chile, a designer circular, Carla Tennenbaum, foi a única representante feminina e também a única representante da América Latina no evento de abertura. Em seu blog Ideia Circular, ela contou que em seu discurso, apontou que a economia linear é masculina, literalmente e metaforicamente, e a economia circular é feminina, uma vez que a economia linear foi criada por homens, pois até pouco tempo atrás, eram apenas homens dirigindo governos e empresas, enquanto as mulheres trabalhavam em casa, cuidando da casa e das crianças. As mulheres passaram a tomar decisões no mundo produtivo recentemente. Sendo assim, ela conclui que literalmente, historicamente, a economia linear foi criada por homens, através das ações e decisões deles.

Por outro lado, a economia circular fala de regeneração, de cuidado com o lugar que habitamos. O cuidado, na nossa cultura, é uma função considerada feminina. E, como a maioria das funções femininas, ainda assim ela é desvalorizada culturalmente e financeiramente.


**As opiniões expressas em artigos representam as opiniões de seus autores e não, necessariamente, dos editores do Conecta Verde.

Conteúdo por:

Sueli Furlan

Coordenadora de conteúdo e pesquisa do Movimento Circular

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