De acordo com estudo, produção avançou 2,4% no segundo trimestre, acima da indústria de transformação; para o ano, crescimento projetado é de apenas 0,2%
Editado por Flavius Deliberalli
A indústria brasileira de embalagens iniciou uma recuperação no segundo trimestre de 2026, mas ainda enfrenta um cenário de crescimento limitado e maior pressão sobre custos e consumo. Neste período, a produção de embalagens avançou 2,4% em relação ao trimestre anterior, com ajuste sazonal, enquanto a indústria de transformação recuou 0,1% no mesmo período.
Os dados fazem parte do Estudo ABRE Macroeconômico da Embalagem e Cadeia de Consumo no Brasil, elaborado pela Associação Brasileira da Embalagem (ABRE) em parceria com o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV IBRE).
De acordo com a ABRE, apesar da recuperação no trimestre, a perspectiva para o fechamento do ano permanece moderada. Segundo as projeções do FGV IBRE, a produção de embalagens deverá crescer 0,2% em 2026, após retração de 0,3% em 2025. O intervalo estimado para o ano varia entre queda de 0,2% e alta de 0,6%.
A melhora observada no segundo trimestre foi disseminada entre os principais segmentos. A produção de embalagens de papel e papelão ondulado avançou 2,1%, metal e vidro, 2,2% cada, e plástico, 1,6%. A renda disponível continua crescendo em 2026, mas em patamares mais baixos do que anos anteriores, ao mesmo tempo, o consumidor brasileiro segue muito endividado e inadimplente, projetando um momento de atenção para a indústria.
“O Estudo Macroeconômico da Embalagem com dados do primeiro semestre de 2026 e projeções para o ano mostrou que iniciamos um período de desaceleração do ritmo de crescimento da economia e do mercado, e consequentemente da produção e consumo, o que faz necessário às empresas reverem a sua estratégia e apoiarem processos de inovação de produtos voltados para o momento de vida do consumidor: poder de compra reprimido, maior preocupação com o autocuidado”, avalia Luciana Pellegrino, presidente executiva da ABRE.
O estudo revelou também que mudanças no consumo afetam a demanda por embalagens. O consumo das famílias deve crescer 2,0% em 2026, após alta de 1,3% em 2025. O avanço, entretanto, ocorre em um contexto influenciado por impulsos fiscais e por um mercado de trabalho ainda favorável, fatores que podem perder força nos próximos trimestres.
Entre os setores diretamente relacionados à demanda por embalagens, alguns apresentaram crescimento no primeiro semestre de 2026. Bebidas avançaram 3,9%, indústria metalúrgica, 1,8%, varejo e varejo de não duráveis, 1,5% cada, e alimentação fora de casa, 1,5%. Na direção oposta, alimentos recuaram 1,5%, produtos químicos, 0,7%, farmoquímicos e farmacêuticos, 3,5%, e fumo, 7,3%.
O estudo também aponta a consolidação do comércio eletrônico e mudanças nos hábitos de consumo como fatores que podem alterar a demanda por diferentes categorias de produtos e, consequentemente, por soluções de embalagem.
Entre essas mudanças está a disseminação dos medicamentos à base de GLP-1, as chamadas “canetas emagrecedoras”. Segundo os estudos analisados no Estudo Macroeconômico da Embalagem, o fenômeno pode reduzir o consumo de determinados alimentos processados e fast-food, ao mesmo tempo em que favorece categorias como produtos saudáveis, cosméticos e farmacêuticos.
O estudo da ABRE destaca ainda que as embalagens entram no segundo semestre com recuperação, mas as perspectivas ainda são desafiadoras. A combinação dos indicadores mostra um setor que iniciou 2026 em trajetória de recuperação, mas que ainda está longe de uma retomada robusta.
Depois da queda registrada no quarto trimestre de 2025, a produção de embalagens voltou a crescer acima da indústria de transformação. O avanço de 2,4% no segundo trimestre representa uma reação importante, mas a projeção de apenas 0,2% para o ano evidencia que a desaceleração da economia, a pressão dos custos e a heterogeneidade entre os segmentos devem limitar o desempenho da cadeia.
Outros dados do estudo compreendem a geração de empregos. O mercado de trabalho permanece como um dos principais pontos positivos para a cadeia de embalagens.
Em junho de 2026, o setor contabilizou 286.534 trabalhadores formais, equivalentes a 3,47% do total da indústria de transformação. O emprego no setor cresceu 3,2% no ano, ritmo superior ao avanço de 0,5% registrado pela indústria de transformação.
A respeito das exportações, o estudo aponta avanço de 11,8% até julho. As exportações brasileiras de embalagens somaram US$ 363,9 milhões de janeiro a julho de 2026, alta de 11,8% em relação ao mesmo período de 2025. Plástico representou 35,8% do total exportado; metal, 34,4%; papel e papelão, 22,8%; vidro, 4,6%; e madeira, 2,3%.
No mesmo período, as importações totalizaram US$ 363,3 milhões, crescimento de 2,2% na comparação anual. Plástico respondeu por 30,4% das importações; metal, 33,2%; vidro, 22,2%; papel e papelão ondulado, 13,9%; e madeira, 0,2%.
Diante desses dados, a ABRE aponta que a proximidade entre os valores de exportação e importação evidenciam a integração da cadeia brasileira de embalagens ao comércio internacional e sua relevância tanto para o abastecimento quanto para a competitividade da indústria.
“A ABRE, em parceria com o IBRE FGV, traz há quase 30 anos para os associados e setor, o Estudo ABRE Macroeconômico da Embalagem, que oferece panorama integrado dos fatores que influenciam a produção, o consumo, os custos e a competitividade da cadeia de embalagens. Em um ambiente de incerteza, informação qualificada é essencial para apoiar decisões empresariais e fortalecer o diálogo com toda a cadeia produtiva”, afirma a presidente executiva da ABRE.
Mais informações:
ABRE
www.abre.org.br




















