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Bioembalagens e compostagem: uma aliança necessária contra o greenwashing e a favor do solo

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De acordo com o autor, o mercado de bioembalagens não existe sem unidades de compostagem operantes e eficientes

Por Felipe Pedrazzi*

Recentemente, tive a oportunidade de representar a Associação Brasileira de Compostagem (AB|Compostagem) em evento realizado pelo Conecta Verde, um evento crucial para o debate sobre o futuro das embalagens sustentáveis. A minha participação teve um objetivo claro: ressaltar que a aproximação entre o setor de bioembalagens e o setor de compostagem não é apenas desejável, é vital.

A mensagem que levei é direta: o mercado de bioembalagens não existe sem unidades de compostagem operantes e eficientes. Afinal de contas, de nada adianta desenvolvermos materiais inovadores se não houver um destino final adequado que feche o ciclo de forma segura e ambientalmente correta.


O Desafio do greenwashing e a importância das certificações Vivemos um momento de expansão de produtos ditos “verdes”, mas isso traz consigo o risco do greenwashing. Termos como “biodegradável” são frequentemente usados de forma vaga. Precisamos entender que fragmentação não é decomposição e que o desaparecimento visual de uma embalagem não significa que ela se tornou adubo de qualidade. Pior ainda são os chamados oxibiodegradáveis, que não são compostáveis e geram microplásticos.

Para evitar que “produtos falsos” cheguem às nossas usinas, a exigência de certificações internacionais validadas, como a BPI e a TÜV Austria (selos OK Compost), é o ponto de partida. Essas certificações garantem que a embalagem irá se degradar nas condições específicas de tempo e temperatura de uma compostagem industrial.

Contudo, o Brasil precisa avançar para a soberania normativa. A reciclagem de resíduos sólidos orgânicos urbanos só se consolidará com um mercado firme, sustentado por um organismo certificador nacional, validado internacionalmente, que aprove produtos adaptados à nossa realidade tropical e operacional.


Usinas de compostagem: receptores passivos de problemas? Atualmente, as usinas de compostagem atuam muitas vezes como receptores passivos de problemas de normalização de produtos. Recebemos contaminações físicas visíveis, como plásticos convencionais e vidros, mas também enfrentamos ameaças invisíveis e químicas.

Aqui, chamo a atenção para os PFAS (substâncias per e polifluoroalquil), conhecidos como “químicos eternos”. Presentes em muitas embalagens de papel para repelir gordura e água (inclusive algumas vendidas como compostáveis), esses químicos não se degradam. Pelo contrário, sua concentração pode aumentar durante o processo, contaminando o composto final, lixiviando para águas subterrâneas e sendo absorvidos pelas plantas.


O objetivo final: qualidade para o solo e segurança alimentar Não podemos perder de vista o propósito da nossa atividade. A compostagem não é apenas sobre “livrar-se” do lixo; é sobre produzir solo.

O mercado do composto orgânico depende de um produto de extrema qualidade para retornar às lavouras. É esse composto limpo e rico que permitirá a produção de alimentos saudáveis e nutricionalmente concentrados, fechando o ciclo da matéria orgânica com segurança.

Portanto, o setor de bioembalagens precisa entender que seu sucesso está atrelado à viabilidade das unidades de compostagem. Precisamos banir o greenwashing e os produtos falsos, investir em P&D e garantir que o que entra na usina seja, de fato, nutriente para o solo, e não contaminante.


**As opiniões expressas e os dados apresentados em artigos são de inteira responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente, o posicionamento dos editores do Conecta Verde.

Conteúdo por:

Felipe Pedrazzi*

*Biólogo, mestre e doutor em Geociências e Meio Ambiente; conta com mais de 20 anos de projetos ambientais e 15 anos de experiência em compostagem; é fundador de diversas iniciativas no setor e atual presidente da Associação Brasileira de Compostagem (AB|Compostagem).

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