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Perda de €25,4 trilhões por ano com economia linear tem fatores “invisíveis” para o PIB global, alerta Ibec

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Relatório Circularity Gap Report 2026 aponta perda de valor nas cadeias produtivas

Editado por Flavius Deliberalli / Crédito da imagem: Edson Lopes Jr. / Prefeitura de São Paulo

O Instituto Brasileiro de Economia Circular (Ibec) alerta que a comunidade internacional está subestimando o custo real do modelo econômico linear porque indicadores tradicionais, como o PIB, não medem fatores como a perda de valor nas cadeias produtivas, o esgotamento de recursos e a geração de resíduos.

A informação faz parte do relatório Circularity Gap Report 2026, produzido pela Circle Economy com a Deloitte Netherlands, que aponta que o mundo perde anualmente €25,4 trilhões em valor econômico devido ao uso linear de materiais, o que equivale a 31% do PIB global. Isso significa que, para cada €3 de valor econômico gerado globalmente, cerca de €1 se perde.

O Circularity Gap Report é um estudo anual que investiga os índices de circularidade no mundo desde 2018. Este ano, as organizações responsáveis estimaram, pela primeira vez, a “lacuna de valor” (value gap) existente por conta de práticas lineares, em termos monetários. As economias em todo o mundo dependem fundamentalmente de materiais, mas uma parcela significativa de seu valor é perdida em cada etapa de produção, uso e descarte.

“Ainda nos concentramos muito na ótica do problema, do lixo e da poluição, e focamos em soluções de reciclagem e reintegração de materiais à cadeia produtiva. Isso não está errado, mas temos que expandir a nossa fronteira de análise e posicionar a economia circular pelo que ela realmente é: economia. Devemos sair de uma perspectiva de ‘consertar os problemas’ para ‘evitar os problemas’. A essência da circularidade precisa estar na quantificação da geração de valor dos modelos de negócios circulares, no diferencial competitivo, em oportunidades comerciais, em uma régua econômica que traz novas medidas de valor e de retorno”, analisa Beatriz Luz, presidente do Instituto Brasileiro de Economia Circular (Ibec).

Um dos pontos do Circularity Gap Report 2026 destacados pelo Ibec é que o PIB, principal bússola de políticas econômicas no mundo, registra apenas a atividade econômica, e não a retenção ou a perda de valor. Custos como esgotamento de recursos, geração de resíduos, subutilização de ativos, impactos à saúde humana e redução da produtividade do trabalho ainda estão ficando de fora da equação. O resultado é uma deficiência estrutural na tomada de decisões de governos e empresas.

“As perdas são reais, evitáveis e representam uma oportunidade estratégica para desbloquear trilhões em valor econômico, desde que a gente posicione a transição circular como prioridade na tomada de decisão do negócio”, enfatiza a presidente do Ibec.


Mais informações:

Ibec
www.ibec-circular.org

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