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Nissin detalha avanços consistentes na agenda ambiental

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Em entrevista exclusiva, empresa destaca as ações relacionadas à economia circular


Por Elen Nunes / Editado por Flavius Deliberalli

A agenda ambiental tem ganhado cada vez mais espaço na estratégia da Nissin Foods do Brasil. Além de priorizar a otimização de recursos naturais, redução de resíduos e engajamento de sua cadeia de valor, alinhado à estratégia global Earth Food Challenge 2030 e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), a empresa destaca a operação com 100% de energia renovável em suas duas fábricas brasileiras e o avanço no uso de biometano na unidade de Ibiúna (SP), como parte da estratégia de descarbonização. Outros projetos contemplam eficiência hídrica e gestão de resíduos.

No campo da economia circular, a empresa afirma ter alcançado 40% de recuperação dos copos da linha Cup Noodles, que são transformados em chapatex e itens institucionais.

Para entender melhor essas iniciativas, confira a entrevista exclusiva concedida por Fernanda Facca, gerente de Sistema de Gestão Integrado da Nissin ao Conecta Verde.


1- A empresa menciona investimentos em economia circular voltados à transformação de resíduos em subprodutos de maior valor agregado. Como essa frente está estruturada dentro da estratégia de embalagens e quais metas orientam esse avanço?
Esta estratégia faz parte dos compromissos globais da Nissin Foods Group chamado Earth Food Challenge 2030, cujas iniciativas estão concentradas em duas questões: “Recursos limitados” e “Mudanças climáticas”. Dentre os desdobramentos relativos às questões de recursos limitados, um dos compromissos é “Criar um mundo sem resíduos”, promovendo soluções que priorizam a redução, reutilização e reciclagem dos materiais. Com isso, a Nissin Foods do Brasil estabelece os programas locais considerando as legislações aplicáveis e a estratégia se materializa por meio de parcerias voltadas para a recuperação e reaproveitamento de materiais.


2- Como funciona, na prática, o processo de recuperação dos copos da linha Cup Noodles, desde a coleta até a transformação em novos produtos? Qual volume esses 40% representam e quais são os principais desafios para ampliar essa taxa?
Tudo começa dentro da operação fabril, uma vez que a transformação acontece também a partir do resíduo pós-indústria. Já no reciclador, a recuperação de copos tem início com um processo chamado Hidrapulper. Esta tecnologia é utilizada para separar a celulose da camada de plástico contida na embalagem. Após a separação, a massa de celulose pode ser utilizada no blend de reciclagem de papel/papelão. Atualmente, todo o volume reciclado pode ser aproveitado; uma parcela retorna para a indústria na forma de chapatex (separador de paletes) e o restante é absorvido no processo de reciclagem de papel/papelão e transformado em outros subprodutos comercializados pelo reciclador. Entre os principais desafios para a ampliação dessa taxa está a infraestrutura da cadeia de reciclagem, uma vez que existe uma limitação dos recicladores para este tipo de material.


3- Hoje, a transformação desses copos em chapatex é o principal caminho. Há planos ou estudos para que esse material possa, no futuro, retornar como embalagem?

A legislação sanitária não permite a reutilização de material reciclado em embalagens primárias (contato direto com alimentos). Por isso, o caminho encontrado para fomentar a reciclagem é a utilização em outras etapas do processo.


“a recuperação de copos tem início com um processo chamado Hidrapulper. Esta tecnologia é utilizada para separar a celulose da camada de plástico contida na embalagem”


Chapatex: parte do volume de copos reciclados retorna para a indústria como separador de paletes.
Fernanda Facca, gerente de Sistema de Gestão Integrado da Nissin.

4- Como funciona o projeto piloto de recuperação das embalagens da linha Nissin Lámen, em que estágio ele se encontra e quais são os principais desafios para viabilizar a reinserção dessas embalagens na cadeia produtiva em escala?
O projeto piloto foi desenvolvido para testar a eficácia da reciclagem de embalagens BOPP. Na primeira fase reciclamos 10 toneladas de embalagens pós-consumo e o principal desafio é viabilizar a disponibilização de produtos à base de material reciclado em larga escala. Neste projeto, o material reciclado foi transformado em bancos e lixeiras que serão utilizados na área externa da nossa unidade industrial em Ibiúna, no interior de São Paulo.


5- A empresa tem avançado na revisão do design das embalagens para facilitar a circularidade, como uso de estruturas mais simples, monomateriais ou outras possibilidades? Há planos ou estudos sobre incorporação de conteúdo reciclado e quais áreas estão envolvidas nesse processo?
A evolução do design de embalagens é o principal caminho para aumentar a circularidade, e esse processo envolve uma equipe multidisciplinar que considera não somente os tipos de materiais, mas também a segurança de alimentos para a preservação do produto, que é a principal função da embalagem. Para a incorporação de conteúdo reciclado, é necessário que haja avanços na legislação sanitária para materiais de contato direto com alimentos. A Nissin acompanha de perto a evolução desse tema que é conduzido internamente pelas áreas de Pesquisa e Desenvolvimento, Sistema de Gestão Integrado (SGI)/Sustentabilidade.

“o material reciclado foi transformado em bancos e lixeiras que serão utilizados na área externa da nossa unidade industrial”


6- Como recicladores e cooperativas participam dessas iniciativas? E, na visão da empresa, o que ainda precisa evoluir na infraestrutura brasileira para que a circularidade das embalagens, especialmente flexíveis, avance de forma mais consistente?
Atuamos em território nacional utilizando programas estruturantes de logística reversa em que o papel das cooperativas e recicladores é fundamental. Essa ação está alinhada às premissas da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Além da atuação direta, a Nissin também acompanha as discussões setoriais que buscam ampliar a viabilidade da circularidade para diferentes tipos de materiais. Nesse sentido, há diversos temas relacionados às embalagens grau alimentício que estão em pauta, tanto no âmbito da Anvisa quanto nos Grupos de Trabalho do Mercosul. Este é um dos principais caminhos para que haja avanço na circularidade de embalagens.


7- A empresa também desenvolve ações de educação ambiental para orientar o consumidor sobre o descarte correto dessas embalagens?
Sim. Acreditamos que a circularidade também depende do engajamento dos consumidores e da disseminação de informação sobre o descarte correto dos materiais. Por isso, a Nissin desenvolve iniciativas de comunicação e educação ambiental junto a diferentes públicos, incluindo consumidores, clientes e parceiros da cadeia de valor, compartilhando orientações sobre reciclagem e destinação adequada das embalagens. Essas ações são complementares aos programas estruturados de logística reversa e fazem parte de uma agenda mais ampla de responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, princípio estabelecido pela Política Nacional de Resíduos Sólidos.

“A evolução do design de embalagens é o principal caminho para aumentar a circularidade, e esse processo envolve uma equipe multidisciplinar”

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