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Instituto ABIA de Meio Ambiente destaca foco na gestão do Sistema de Logística Reversa de embalagens

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Entidade tem como objetivos principais otimizar as estratégias de ESG da indústria de alimentos e bebidas e desenvolver projetos de impacto ambiental

Por Flavius Deliberalli

Recentemente a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) anunciou a criação do Instituto ABIA de Meio Ambiente, uma entidade sem fins lucrativos que tem como objetivo desenvolver projetos de impacto ambiental e cumprir as metas da legislação brasileira, com foco na logística reversa de embalagens.

Em entrevista exclusiva,
Helen Miari, gerente executiva do Instituto ABIA de Meio Ambiente, explica detalhadamente a atuação da entidade, bem como suas ações e objetivos.

Leia agora:

1- O que motivou a criação do Instituto ABIA de Meio Ambiente?
A criação do Instituto ABIA de Meio Ambiente foi motivada pela necessidade da indústria de alimentos e bebidas em otimizar suas estratégias de ESG e em desenvolver projetos de impacto ambiental. O setor reconhece a necessidade de ações coordenadas para enfrentar os desafios ambientais e aprimorar a gestão apropriada das embalagens, um tema no qual a ABIA já atua desde 2012, mesmo antes do acordo setorial sobre logística reversa.

2- Quais são os objetivos da atuação a curto, médio e longo prazo no âmbito social e ambiental?
Os objetivos do Instituto ABIA de Meio Ambiente, visando o aprimoramento das estratégias ESG da indústria de alimentos e bebidas, são abrangentes e estruturados por prazos.
A curto prazo, atuar como entidade gestora do Sistema de Logística Reversa de embalagens, planejando, coordenando e monitorando ações para garantir que as embalagens colocadas no mercado pelas empresas retornem ao ciclo produtivo. A meta inicial é reciclar 32% das embalagens. O Instituto também busca iniciar e fortalecer parcerias com cooperativas de catadores para consolidar a base da cadeia de reciclagem, promovendo inclusão social.
A médio prazo, consolidar e ampliar a abrangência e a eficiência do sistema de logística reversa, com um aumento significativo nas taxas de reciclagem, visando alcançar a meta de 50% até 2040. Adicionalmente, o Instituto empreenderá ações para fortalecer ainda mais as cooperativas de catadores, assegurando melhores condições de trabalho, capacitação e remuneração, e promovendo maior inclusão social e econômica desses profissionais que são essenciais para o ciclo da reciclagem.
A longo prazo, contribuir de forma expressiva para a sustentabilidade ambiental no Brasil, reduzindo o descarte inadequado de embalagens e promovendo um modelo de economia circular robusto na indústria de alimentos e bebidas. O objetivo é criar um espaço de diálogo contínuo entre empresas, governo e sociedade civil para articular soluções estruturantes para a gestão de resíduos, gerando valor social e ambiental constantes.

“A criação do Instituto ABIA de Meio Ambiente foi motivada pela necessidade da indústria de alimentos e bebidas em otimizar suas estratégias de ESG e em desenvolver projetos de impacto ambiental”

3- E de forma detalhada, quais são as ações propostas para que esses objetivos sejam alcançados?
Para alcançar seus objetivos, o Instituto ABIA de Meio Ambiente propõe as seguintes ações:

– Planejamento e coordenação estratégica: elaborar e implementar planos e diretrizes eficientes para o sistema de logística reversa de embalagens, definindo metas claras e indicadores de desempenho para o monitoramento contínuo da performance;

– Monitoramento e rastreabilidade: acompanhar de forma rigorosa o fluxo das embalagens, desde sua produção e consumo até o retorno ao ciclo produtivo, utilizando sistemas que garantam a rastreabilidade e a eficácia das ações de coleta e destinação;

– Parcerias com catadores e cooperativas: estabelecer e fortalecer colaborações estratégicas com cooperativas e associações de catadores de materiais recicláveis, reconhecendo-os como a base essencial da cadeia de reciclagem. Isso inclui o apoio à profissionalização, a melhoria da infraestrutura e a promoção da inclusão social e econômica desses trabalhadores;

– Articulação setorial: promover um diálogo constante e a colaboração entre as empresas da indústria, o governo e a sociedade civil para desenvolver soluções conjuntas e eficientes para os desafios da gestão de resíduos em larga escala.

4- Há ações e iniciativas propostas especificamente para contribuir com o aumento das taxas de reciclagem de embalagens?
Sim, as ações do Instituto ABIA de Meio Ambiente são integralmente voltadas para o aumento das taxas de reciclagem de embalagens. A principal delas é a sua atuação como entidade gestora do Sistema de Logística Reversa de embalagens, que tem a meta inicial de reciclar 32% das embalagens e alcançar 50% até 2040. Além disso, a priorização e o fortalecimento de parcerias com cooperativas de catadores são fundamentais, pois essas alianças consolidam a infraestrutura essencial da cadeia de reciclagem. Isso garante um maior volume e eficiência na coleta, triagem e reintrodução desses materiais no processo produtivo, através do planejamento, da coordenação e do monitoramento das ações para que as embalagens retornem efetivamente ao ciclo.

“A principal delas é a sua atuação como entidade gestora do Sistema de Logística Reversa de embalagens, que tem a meta inicial de reciclar 32% das embalagens e alcançar 50% até 2040”

 

Parcerias com a ANCAT e ABEAÇO anunciadas no lançamento da entidade.

5- Em relação à legislação brasileira, o que o Instituto ABIA de Meio Ambiente pretende fazer para aprimorar a logística de embalagens no setor de alimentos?
O Instituto ABIA de Meio Ambiente foi criado com o objetivo principal de garantir o rigoroso cumprimento das metas da legislação brasileira, especialmente no que se refere à Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e seus instrumentos de logística reversa. Para aprimorar a logística de embalagens no setor de alimentos, o Instituto pretende:

– Garantir a conformidade legal e eficiência: assegurar que as empresas associadas cumpram suas obrigações de logística reversa de forma otimizada e eficiente, oferecendo uma solução coletiva, auditável e simplificada;

– Atuação estruturante e colaborativa: promover a articulação e o diálogo constante entre a indústria, o governo e a sociedade civil para desenvolver soluções estruturantes e inovadoras. Isso pode incluir a colaboração com órgãos governamentais na formulação de políticas públicas mais eficazes e adaptadas às realidades e necessidades do setor de alimentos e bebidas, assim como a integração plena dos catadores no sistema oficial de logística reversa;

– Gestão de processos e inovação: planejar, coordenar e monitorar ações para que as embalagens voltem ao ciclo produtivo, otimizando os fluxos e processos em toda a cadeia e buscando inovações que aumentem a viabilidade e a eficácia da reciclagem.


6- O que contempla as parcerias com a Associação Nacional dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis (ANCAT) e Associação Brasileira de Embalagem de Aço (ABEAÇO)?
As parcerias com a ANCAT e a ABEAÇO contemplam o fortalecimento da base da cadeia de reciclagem e a promoção da sustentabilidade ambiental e social.

A parceria com a ANCAT visa fortalecer as cooperativas de catadores, que são atores cruciais na coleta e triagem de materiais recicláveis, mas muitas vezes trabalham no anonimato. A colaboração com o Instituto ABIA reforça o reconhecimento e a valorização do trabalho desses catadores, buscando promover melhores condições de trabalho, capacitação, infraestrutura adequada e remuneração justa, contribuindo significativamente para a inclusão social e econômica dos catadores.

A parceria com a ABEAÇO, que representa a indústria de embalagens de aço, foca na promoção da reciclagem desse tipo de material. As embalagens de aço já apresentam índices relevantes de reciclagem no Brasil (cerca de 47% das latas de aço são recicladas), e a colaboração com o Instituto ABIA busca avançar ainda mais essa taxa.

“As parcerias com a ANCAT e a ABEAÇO contemplam o fortalecimento da base da cadeia de reciclagem e a promoção da sustentabilidade ambiental e social”

7- Quais ações ou projetos dessas entidades podem inspirar ou ser replicados no âmbito de atuação do Instituto ABIA de Meio Ambiente?
As ações e projetos da ANCAT e ABEAÇO oferecem inspiração de grande relevância para o âmbito de atuação do Instituto ABIA de Meio Ambiente. O programa da ANCAT é um exemplo de sucesso na implementação de logística reversa inclusiva. Por meio dele, mais de 800 mil toneladas de resíduos foram recuperadas, gerando renda e impacto ambiental positivo para milhares de pessoas. O Instituto ABIA tem se inspirado nessa abordagem inclusiva e estruturante, investindo diretamente no fortalecimento das cooperativas de catadores e expandindo sua capacidade operacional e de gestão.


8- Há alguma iniciativa voltada para o consumidor, no sentido de conscientização e educação em relação à reciclagem de embalagens, como comunicação direcionada ou rotulagem, por exemplo?
Sim, o Instituto ABIA de Meio Ambiente reconhece a importância crucial do engajamento do consumidor para o sucesso da logística reversa e o aumento das taxas de reciclagem. Para isso, o Instituto apoia e se alinha a iniciativas de conscientização e educação que visam mobilizar a população brasileira. Um exemplo é o apoio ao movimento “Separe. Não Pare”. Esse movimento tem como objetivo informar, inspirar e mobilizar a população brasileira a separar e descartar corretamente os resíduos domésticos. O movimento utiliza campanhas digitais e um portal informativo para fornecer conteúdos e orientações, desmistificando a reciclagem e mostrando como é simples e acessível a participação do cidadão. Complementarmente, o Instituto promove a distribuição de materiais educativos, como panfletos informativos, para que as cooperativas parceiras possam distribuí-los diretamente à população local. Essa abordagem permite uma comunicação mais próxima e direcionada, reforçando a importância da separação dos resíduos e orientando sobre os pontos de coleta e o papel vital dos catadores na cadeia de reciclagem.

“Um exemplo é o apoio ao movimento ‘Separe. Não Pare’. Esse movimento tem como objetivo informar, inspirar e mobilizar a população brasileira a separar e descartar corretamente os resíduos domésticos”

9- Inicialmente o Instituto ABIA de Meio Ambiente conta com 33 associados. Quais as ações previstas para ampliar esse número?
Dentre as ações previstas estão o engajamento e prospecção ativa, realizando eventos, workshops e reuniões com empresas não associadas da indústria de alimentos e bebidas, apresentando o modelo de atuação do Instituto, suas metas e os resultados esperados em termos de impacto ambiental e social; a demonstração de resultados, apresentando os resultados concretos e o impacto positivo das ações de logística reversa e inclusão social realizadas pelo Instituto, mostrando como a adesão contribui de forma efetiva para a sustentabilidade e a responsabilidade corporativa do setor; e o networking e a colaboração, posicionando o Instituto como uma plataforma essencial de colaboração, inovação e diálogo para toda a cadeia produtiva, atraindo empresas que buscam soluções conjuntas para os desafios ambientais e de gestão de resíduos, além de ampliar o debate sobre sustentabilidade além das obrigações legais.


10- Por fim, segundo levantamento da ABREMA, temos uma taxa de reciclagem de resíduos de 8%. Qual é o posicionamento do Instituto ABIA de Meio Ambiente para que esse índice cresça de forma significativa?
A estratégia do Instituto ABIA de Meio Ambiente para elevar a reciclagem baseia-se em múltiplos pilares:

– Gestão estruturada da Logística Reversa: atuando como entidade gestora, o Instituto visa otimizar todo o processo de retorno das embalagens ao ciclo produtivo de forma sistêmica, tornando-o mais eficiente, abrangente e rastreável. Essa abordagem impactará diretamente o volume de materiais reciclados. O Instituto já estabelece metas ambiciosas e concretas, como reciclar 32% das embalagens inicialmente e alcançar 50% até 2040;

– Fortalecimento da base da Cadeia de Reciclagem Inclusiva: a priorização e o fortalecimento de parcerias com cooperativas de catadores são absolutamente cruciais. Ao investir na profissionalização, na infraestrutura e na valorização desses agentes fundamentais, o Instituto contribui diretamente para a melhoria da coleta, triagem e destinação dos materiais, que são etapas essenciais para que os resíduos se transformem, de fato, em matéria-prima reciclada;

– Escala e representatividade setorial: representando a indústria de alimentos e bebidas, um setor de grande peso econômico (cerca de 10% do PIB e mais de 2 milhões de empregos diretos), o Instituto tem o potencial de mobilizar um volume significativo de embalagens e de empresas. Isso cria um impacto em larga escala que pode influenciar de maneira substancial as taxas nacionais de reciclagem.

– Promoção da Economia Circular e diálogo multissetorial: alinhado com os princípios da economia circular, o Instituto busca não apenas reciclar, mas reintegrar as embalagens à cadeia de valor, maximizando seu aproveitamento. Para isso, ele cria um espaço de diálogo colaborativo e contínuo entre empresas, governo e sociedade civil, permitindo a articulação de soluções estruturais que impulsionem a reciclagem, a sustentabilidade e a responsabilidade compartilhada no país.

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